CAP 24 - GUARDIÃO ALENCAR E GLÓRIA PARTE 4

2657 Palavras
Glória tenta explicar: - Você faz um semblante misterioso e até intimidador. Parece algo misterioso e acaba levando a uma imagem até…- fica quieta para pensar no que dizer... Alencar ansioso pergunta: - Até? Glória: - Até sobrenatural. Alencar solta uma gargalhada. Glória ri junto. Alencar diz: - Sobrenatural? Glória: - Sim. Você é silencioso, está sempre aparecendo e sumindo do nada, suas roupas são diferentes da cidade, sozinho, imponente...sua postura é muito misteriosa. Alencar: - Sou um guerreiro. Preciso prestar atenção à minha volta, conseguir alimento, sobreviver, me defender e qualquer preço. Glória: - Agora entendo isso, mas quando não te conhecia, havia algo no ar...que dava margem a imaginação. Alencar: - É a primeira vez que me falam isso. Glória: - Padre Emanuel sentia o m*l em você. Alencar mais uma vez gargalha. Glória estava vendo outro lado dele. Lembrando da imagem que tinha e de agora, era bom vê-lo sorrir, finalmente de forma descontraída. Alencar: - Será que ele vai me acolher sendo do m*l? Glória: - Ele só precisa te conhecer para ...- ela para novamente hesitando e pensando no que vai dizer. Alencar, mais uma vez ansioso, questiona, não dando tempo para ele pensar: - Para? Glória: - Perceber que você é um homem com um coração bom e justo. Alguém realmente admirável. Eles se olham apaixonados, mas Alencar precisava manter um distanciamento. Ele troca de assunto: - Sua mãe lidava com plantas e ervas, certo? Glória: - Sim e me ensinou tudo. Alencar: - Preciso de um entorpecente natural. Glória pensa e responde: - Tenho a receita de um entorpecente, mas teria que buscar os ingredientes em uma aldeia. Será que vão permitir? Alencar: - Creio que se for sozinho...tentarei. Glória anota tudo o que precisa, dizendo: - Tenha cuidado. De forma natural, Alencar lhe dá um beijo na testa e sai. Glória abre um sorriso bobo. Estava surpresa com a atitude dele. Alencar sai e vai com seu cavalo, saindo das terras. Um dos homens fica no caminho e pergunta: - Onde está indo? Alencar sente-se prisioneiro, mas não entra em conflito desnecessário, respondendo: - Preciso comprar algumas ervas para a moça. Se quiser pode vir junto. O homem sinaliza para outros dois que seguem Alencar. Glória fica olhando tudo pela janela rezando pela proteção de seu guardião. Alencar vai até a aldeia mais próxima e consegue tudo o que precisa, compra também vinho, flores e alguns alimentos. Ao chegar novamente à cabana, Glória vem ao seu encontro, dizendo: - Graças a Deus, estava demorando. Ele sorri, com a preocupação e diz, lhe dando as flores: - A aldeia mais próxima fica a duas horas daqui.. Glória abre um lindo sorriso e agradece as flores. Foi a primeira vez que recebeu flores de alguém diferente de sua mãe. Ele lhe entrega as compras, dizendo - Trouxe vinho, para colocar a tal mistura dentro. Tentarei fazer amizade com eles, oferecendo a bebida. Espero que todos bebam e durmam. Aí partiremos. Glória faz sim com a cabeça. Alencar diz: - Deixe tudo pronto, mas escondido. Precisamos, assim que dormirem, saimos. Temos que ser rápidos. Jantamos, vou lá fingir beber com eles, e depois partimos, tarde da noite. Ela faz a tal mistura e deixa pronta. Não tinha gosto de nada e faz bem forte. Alencar deixa um pouco de vinho para ele disfarçar beber junto, e coloca a mistura no restante. A noite cai e eles jantam, nervosos. Se um deles não bebesse, poderia acordar os outros. Precisava prestar atenção se alguém rejeitasse a bebida para tomar outras providências. Era claro que estavam prisioneiros. Sentiu isso ao tentar sair para fazer as compras. Alencar diz: - Fique calma, não deixarei nada te acontecer. Glória: - Eu sei que sim, mas não é a situação mais confortável do mundo, afinal teremos que fugir daqui. Alencar segura sua mão, dizendo: - Vai dar tudo certo. Difícil um homem rejeitar bebida. Glória: - Fiz uma mistura muito forte. Misturado com o álcool, vai dar mais efeito ainda. Alencar: - Ótimo. Após a janta, Glória fica pronta, esperando. Alencar vai até os homens, oferecer a bebida um a um. Ficavam espalhados, o que deu um pouco de trabalho. Sempre com o sorriso no rosto, fingia beber junto e contava vantagens buscando um assunto divertido e comum. Aos poucos conseguiu dar a mistura a todos. Ele entra e fica observando. Depois de alguns minutos, todos dormem escondidos. Achavam que os outros estavam acordados, e não conversavam entre si. Não desconfiaram de nada, afinal o tal rapaz estava muito amistoso. Após perceber que dormiram, ele e Glória saem da cabana e fogem em direção ao convento. No outro dia, pela manhã, os homens despertam, mas não desconfiam de nada. Glória e Alencar chegam no convento. Irmã Maria da Conceição e Irmã Clotilde, vêm correndo abraçá-la. Irmã Maria da Conceição: - Estávamos orando preocupadas. Não sabíamos se estava bem, mas está com uma carinha feliz. Glória olha para Alencar e fica vermelhinha. Irmã Clotilde diz: - Vamos entrar e sair do sereno. Eles entram, Alencar coloca seu cavalo no pátio, dentro do Convento. Ele finalmente respira aliviado. Estavam seguros. Padre Emanuel, ouvindo a agitação, vem ao encontro dos dois, dizendo: - Glória, que bom lhe rever. - ele a abraça e fica olhando Alencar, sem reconhecê-lo. O jovem havia trocado a roupa, já que Glória tinha falado aquilo mais cedo. Glória olha para Alencar, dizendo a todos: - Esse é Alencar. Ele é o tal cavaleiro misterioso. O padre lhe estenda a mão com olhar desconfiado. Alencar cumprimenta a todos, gentilmente. Eles os levam para seus quartos. Padre Emanuel, coloca Alencar perto dele e Glória longe, perto das irmãs. Ele diz: - Hoje está tarde, mas amanhã, pela manhã, tomamos um café e vocês nos contam tudo. Todos se despedem e vão dormir. Glória e Alencar estavam com saudade um do outro. Eles não tinham se dado conta que ficariam separados no convento. Na cabana, estavam sempre juntos e teriam que se acostumar com a nova rotina, até estarem seguros e saberem onde iriam ficar. Alencar já tinha a certeza em seu coração que ficariam juntos. Por ele morariam em uma casa na cidade e ele arrumaria um emprego. Só precisava saber quem era o tal juiz e o quanto estavam correndo perigo. No outro dia, pela manhã, Lucas foi avisado, por padre Emanuel, da chegada de Glória. Todos estava na cozinha, tomando um café da manhã, menos Iolanda, que evitava padre Emanuel. Ela sentia que ele não gostava muito dela e o evitava, sem comentar com Lucas. Embora este sabia exatamente o que estava acontecendo, mas fingia não saber. Lucas diz: - Agora nos contem tudo. Qual o motivo de terem saído daqui e por onde andaram? Glória olha para Alencar e inicia a narrativa: - Eu sentia que precisava saber o que o tal cavaleiro misterioso queria comigo. Indo ao encontro dele, saímos a cavalo. Alencar diz: - Percebemos que estavam nos procurando e, como eu tinha que levá-la até seu pai, tentei despistá-los, mas não consegui. Então o tal juiz nos ajudou. Lucas mais uma vez percebe que seu irmão estava mesmo em um caminho sem volta. Padre Emanuel olha para ele, por saber se tratar do seu irmão, mas não falam nada e seguem escutando. Eles seguem contando quem é o pai da moça. Contam inclusive o interesse de Júlio em conhecer o mesmo. Todos ficam surpresos. Lucas e Padre Emanuel se entreolham por causa de Júlio e seu jogo de interesses. Padre Emanuel: - E vocês não foram até o pai da moça por qual motivo? Glória diz: - Não quero aquela vida, padres. Prefiro ficar na aldeia e ser livre. Escolher com quem me casar. Padre Emanuel diz: - Mas você terá uma vida de luxo, junto ao seu pai. Glória diz com pesar: - Do que vale isso sem liberdade, felicidade e amor? Padre Emanuel fica surpreso. Lucas diz: - Creio que Lúcio pode ajudá-los com isso. Vocês precisarão de emprego e moradia. Lá Júlio não se mete. Alencar:- Quem é Lúcio? Lucas: - Meu irmão e irmão de Júlio, também. Alencar faz cara de preocupado. Lucas, diz: - Não se preocupem. Nós não nos damos com Júlio. Ele tem ido por um caminho sombrio, mas é fato de que é nosso irmão de sangue. Lúcio administra a herança da família. Sei que podemos arrumar emprego e moradia para ambos, se quiserem mesmo ficar na Cidade dos Anjos. Eles acenam com a cabeça afirmando que sim. Lucas: - E o pai da moça? Alencar: - Não sabe que estamos aqui. Lucas: - Mas assim como te colocou no encalço de Glória, pode contratar outros, não?É questão de tempo até encontrá-los. Glória: - Ele não pode me obrigar a segui-lo. Padre Emanuel: - Se está segura quanto a sua decisão… Glória: - Estou sim. Lucas: - Então fiquem por aqui. Assim que Júlio souber que fugiram, vai varrer a cidade em busca do que perdeu. Para ele, vocês são somente uma forma de chegar até o pai de Glória. Alencar: - Percebi isso, porém tarde demais. Lucas: - Vou agora falar com Lúcio. Nas terras onde meu irmão cuida, Júlio não se atreve a chegar. Se existe algum limite para o juiz é Lúcio. Júlio pode dizer que odeia Lúcio, mas o respeita como respeitava a nosso pai. - diz isso e sai. Ao chegar na casa de Lúcio é bem recebido por Ursinha. Lúcio está tomando café, ao ver Lucas, sorri, dizendo: - Que felicidade tê-lo aqui logo cedo. Venha tomar um café completo daqueles que só ursinha sabe fazer… Lucas senta-se e apanha um pedaço de bolo, dizendo: - Acabei de sair da mesa, mas não resisto ao bolo de mandioca de nossa ursinha. Ursinha diz: - Deixa eu pegar uma xícara para você tomar um café. Lúcio: - Quando você e Iolando vão vir? E a cerimônia já não era para ter ocorrido? Lucas: - Com a surra de Samuel, padre Emanuel pediu que ficasse mais uns dias, para ganhar confiança do homem. Lúcio: - Sabemos que é manipulação do velho padre. Lucas: - Não fale assim. Lúcio: - Por favor, irmão. Ele quer que desista e fique na igreja. Podia ele ganhar a confiança do rapaz. Lucas: - Eu acredito mesmo em inspirar uma maior conexão com as pessoas… Lúcio: - Lá isso é verdade, Padre Emanuel é de longe um rabugento. Lucas: - Hoje você acordou afiado para falar do padre Emanuel. Lúcio: - Sabe o que penso de manipuladores. Lucas: - Ele tem esse jeito torto, mas é um bom homem. Lúcio: - Se está dizendo, eu acredito. Lucas: - Vim aqui por outro motivo. Lúcio: - Pois diga. Lucas: - Fiquei sabendo mais uma do nosso irmão. Lúcio: - O que Júlio fez dessa vez? Lucas: - Descobri que aquela vez, quando a menina Glória fugiu, ele não só não nos ajudou, como ajudou eles a fugirem. Lúcio: - Eu sabia! Júlio quando é muito prestativo, está aprontando algo. Igual agora com Yasmin. Lucas: - Sim, com certeza ele é o responsável por seu sumiço. Os dois ficam pensativos por uns instantes. Lúcio: - Agora diga-me, irmão. Acredita que ele é capaz de fazer algo mais grave com ela? Lucas: - Ia lhe perguntar o mesmo. Lúcio: - Eu já nem sei mais o que pensar sobre nosso irmão. Temo que seja tarde demais para ele. Lucas: - Penso o mesmo. Acho que Madalena tem razão quando diz que ele é capaz de tudo. Isadora estava nervosa. Ela diz a Miguel: - O que tanto essa Madalena se aproximou dos nossos filhos e fica falando de Júlio? Miguel percebe que era chegado a hora de abrir seu coração a sua amada esposa. Isadora olha para seu marido e já percebe que ele quer lhe falar algo sério. Ela diz: - Vamos lá, Miguel, diga logo o que precisa me contar, que já estou aflita. Miguel: - Eu preciso te contar algo que fiz de errado quando era vivo. Isadora senta-se. Parecia saber do que se tratava. Miguel lhe pega a mão, dizendo: - Você sabe que sempre te amei e jamais faria nada para lhe ferir, não sabe? Isadora: - Diga logo, Miguel. Estou imaginando coisas demais. Preciso saber logo do que se trata. Miguel: - Lembra do dia que você teve o Lucas? Isadora: - Fiquei entre a vida e a morte. Miguel: - Naquela noite o médico lhe desenganou. Eu fiquei desesperado. Isadora coloca sua mão sobre a dele. Miguel eu saí sem saber o que fazer. Precisava beber e fingir que aquilo tudo não estava acontecendo. Isadora fica calada ouvindo. Miguel: - Fui ao bordel e fiquei sabendo depois que bebi muito. Você sabe que era fraco para bebida. Não costumava beber muito. Isadora: - Um cálice de licor e já estava com sono. Miguel sorri. Sei que no outro dia acordei na cama de Marta, mão de Madalena. Isadora continua ouvindo, calada. Miguel: - Ela me garantiu que nada aconteceu. Depois você melhorou e seguimos nossas vidas. Mas anos mais tarde, Marta estava à beira da morte e me contou que Madalena era fruto daquela noite. Isadora estava com o olhar para baixo, sem dizer nada. Miguel: - Não vai dizer nada? Isadora: - Eu desconfiava. Miguel: - Como? Isadora: - Quando vi Madalena e comentei com você. Ela tem sua marca de nascimento. Todos nossos filhos possuem a mesma marca sua. Miguel: - E qual o motivo de não ter me falado nada? Isadora: - Medo. Miguel: - Medo do que? Isadora: - Descobrir que não tinha sido seu único e verdadeiro amor. Miguel a abraça, dizendo: - Você sempre foi, é e sempre será meu único e verdadeiro amor. Isadora o abraça e o cheira. Miguel sente um alívio no peito, por ter esclarecido tudo e dito toda a verdade para Isadora. Quando o amor é verdadeiro, qualquer mentira ou omissão, pesa a alma e muito mais o espírito. Eles voltam a prestar atenção na conversa dos filhos. Lúcio: - Preciso acreditar que Júlio terá jeito, por papai e mamãe. Parece que estou falhando com eles. Lucas: - O que Júlio faz não é culpa sua, meu irmão. Esteja onde estiverem, nossos pais sabem disso. Você não pode obrigar Júlio a ir para o caminho do bem. Essa escolha tem que ser dele. Lúcio: - Parece que não estou cuidando do meu irmão mais novo. Papai sempre me cobrou demais e agradeço a ele por isso. Eu me sinto responsável por Júlio. Ainda lembro dele um menino doce e meigo. Não sei quando, nem o motivo que ele ficou com aquela sombra em seu coração, mas aquilo foi crescendo, de tal maneira, que ele nunca mais foi o mesmo. Lucas: - Foi quando você caiu doente. Lembro que ele voltou de um passeio chorando, querendo conversar com papai. Observava vocês dois em tudo. Eram meus modelos. Lembro que papai ficou com tanto medo de lhe perder que gritou com Júlio o chamando de mimado, sem nem ouvir qual seu problema. Miguel fica com o semblante triste. Isadora coloca as mãos em seus ombros. Ele lhe diz: - Eu errei tanto com nossos filhos, mesmo os amando mais que tudo. Isadora diz: - Nós erramos, meu amor, nós erramos... Miguel coloca suas mãos sobre as dela. Lúcio: - Por isso não lembrava...estava doente. Lucas: - Muito doente. Papai estava desesperado e mamãe também. Ela tentou dar colo a Júlio, mas ele nunca mais foi o mesmo. Ele sempre teve ciúmes de você e papai. Vocês tem pouco tempo de diferença e não gostava de ser tratado com caçula. Papai respeitava a ordem da idade. Lúcio: - Papai fez o seu melhor, Júlio que deixou seu coração envenenar. Lucas: - Agora o que aconteceu com ele naquele dia, nunca soubemos. Ele não contou à mamãe, sei porque sempre estava perto de vocês.
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