CAP 16 - MICAEL E CLARA PARTE 2

2508 Palavras
Micael pede para Úrsula fazer uma cesta de piqueniques. Ela já sabia ser Clara um espírito e tenta convencê-lo a desistir, afinal a moça não iria conseguir comer. Ele não estava pronto para acordar para esse lado. Teria que aos poucos, com a convivência com Clara, ir adentrando esse novo mundo. Úrsula: - Creio ser muito cedo para um piquenique. Isso já é mais para namorados. Pode assustá-la. Micael: - Sério? Eu achei que fosse apenas algo agradável. Úrsula: - Tenta conversar mais com ela. Observe e vai com calma. Micael começa a pensar e decide ouvir a ursinha. Ele se arruma e sai, feliz. Chegando lá, senta-se e come um azedinho, esperando Clara. Clara estava tentando ir para o quarto, mas parece que sua mãe não a largava. Parecia saber de algo, embora Clara sabia que não tinha como. A menina então diz: - Mãe, não estou me sentindo bem, vou me deitar um pouco. A mãe, sem entender muito, e sem ligar, responde: - Vá. Amanhã terminamos esse bordado. Amália não sabia o que sua irmã estava aprontando, mas fica na sala com sua mãe para distraí-la. Sabia que algo espiritual estava acontecendo. Queria saber se tinha ligação com Lúcio, mas depois perguntaria. Sabia que quando Clara sumia, era algo que fazia no plano espiritual. Amália acreditava em sua irmã totalmente. Clara deita-se e relaxa. Consegue sair logo do seu corpo e ir encontrar Micael. Ao vê-la, ele levanta para ir em sua direção. Clara diz: - Não se aproxime muito, por favor. Micael não entende qual seria o motivo? Ele pensa que a ursinha estava certa, melhor tentar entender tudo o que acontecia com a moça antes de tentar alguma aproximação maior. Ela parecia muito receosa. Ele diz: - Não vou me aproximar, não se preocupe. Está segura comigo, espero que saiba disso. Clara não sabia o que dizer. Ela então diz: - Acredito em você, mas preciso apenas de espaço. Um dia te explico tudo, só peço que confie em mim. Micael balança a cabeça. Ele diz: - tive medo que não viesse. Clara: - Não teria motivos para não vir. Micael: - É que não entendo muito disso de sonhar com alguém que realmente existe...você está viva, não?- por alguns segundos, Micael parecia desconfiar de algo. Era como se sentisse algo nela...algo que escondia… Clara diz: - Sim, estou. Prometo que logo irá entender tudo. Peço apenas que confie em mim, mesmo quando tudo parecer confuso. Micael sente um arrepio. Dessa vez era apenas medo ou intuição de algo. Ele diz: - Ia trazer uma cesta de piquenique, mas a ursinha me disse que talvez não estivesse pronta. Clara diz: - Ursinha? Micael: - Ela é uma segunda mãe para mim. Trabalha lá em casa desde que meus irmãos mais velhos eram bebês. Acabou sendo da família. Depois que minha mãe faleceu, ela ficou sendo a pessoa que mais posso contar nesse mundo. Clara: - Você pode contar comigo. Micael: - Qual o seu nome? Esqueci de perguntar… Clara responde: - Clara…- ela finge não saber dele: - E o seu? Micael responde: - Micael. Clara: - Nome bonito, diferente. Micael : - O seu é delicado como de uma princesa. Clara: - Não sirvo para princesa. - diz abaixando o olhar. Micael pensa o quanto ela não se enxergava. Realmente ela era a princesa mais linda e doce que já tinha conhecido. Clara escutava coisas negativas desde pequena. Tinha um conceito meio estranho de si própria. Não que se achasse menos que todo mundo, só se achava diferente. Os dois ficam em um breve silêncio. Clara diz: - Seu cavalo é muito bonito. Micael: - O nome dele é Poseidon. Clara: - Nome diferente. Micael: - Quer montá-lo? Clara não podia..era espírito...ela então diz: - Outro dia. Podemos só conversar? Micael faz sim com a cabeça. Pelo menos estava com ela. Os dois ficam ali conversando. Micael: - Sua família como é? Clara: - Complicado...sabe quando você se sente um completo estranho em um lugar? Micael diz: - Eu no grupo de xadrez. Os dois riem. Clara: - Só me dou com minha irmã. Acho que ela é a única que me entende. Micael: - Poderia trazer ela um dia desses… Clara: - Creio que logo conhecerá ela, sim. Micael sente-se mais aliviado. Parecia que algo estava caminhando para a normalidade. Clara: - E você, tem algum irmão que goste mais? Creio que tem mais de um irmão… Micael: - Eu gosto de todos os meus irmãos, exceto Júlio...ele é um tanto cruel...Agora de todos os meus irmãos, o que mais escuto e sinto como um segundo pai é Lúcio...meu irmão mais velho. Clara sabia de Lúcio, mas não podia falar. Achava que não devia. Ela procura por Isadora e estranha sua ausência. Os dois seguem conversando e uma luz lilás começa a aparecer. Clara fica apreensiva. Não podia demonstrar, mas queria muito ver o que apareceria. A luz lilás vai se formando e moldando em duas pessoas. Na verdade era um casal. Clara acaba reconhecendo Isadora, mas não quem estava com ela. Isadora sorri. Clara estava tentando disfarçar e prestar atenção nos dois mundos. Isadora diz: - Esse é Miguel, meu marido. Clara pensa: - Bom conhecê-lo. - ela sabia que eles podiam ouvi-la, mas não podia responder em voz alta. Isadora sabia e não queria atrapalhar. Ela diz: - Mais tarde conversamos. Vou apenas dar um passe em meu filho e depois vamos sair para depois procurar. Eles assim fazem. Clara estava estranha e Micael notou. Ele notava que tinha momentos que parecia distante. Só que ele não entendia o motivo. Ela era diferente em tudo… Ele estava disposto a confiar e acreditar nela, como pediu. Micael queria muito entender tudo, mas sabia que não podia forçar nada. Tinha que esperar o tempo dela. Clara já queria contar tudo, mas sentia que não era o momento. Iria conversar sobre isso com a Isadora. - ela se mexe e Micael olha. Micael: - Você já vai? Clara: - Não...posso ficar mais um pouco. Micael: - Posso chegar um pouco mais perto? Clara: - Deixa que me aproximo. Micael queria segurar-lhe a mão. Ele não podia então resolver falar: - Eu penso em você o dia todo. Clara: - Eu também penso. Gosto de estar com você. Micael: - Achei que você fosse uma ilusão...algo da minha cabeça, mas no fundo sabia que era para nos encontrarmos...você acredita em almas gêmeas. Clara sente as bochechas rosadas. Micael diz: - Acho que fui muito espontâneo e direto, não? Clara: - Adoravelmente. Não se importe com minha timidez…- ele fica quieta por segundos. Então diz temerosa: - Só prometa que seja lá o que acontecer, vai me deixar te explicar tudo? Micael fica sério e diz: - Você é casada? Para mim é muito jovem, mas o que mais poderia ser? Se está viva? Clara muda o semblante de medo para um sorriso: - Não sou casada e, sim, estou viva, já te disse. Micael: - Prometo que sempre vou te escutar… Sinto que somos um do outro… Clara fica emocionada e olha nos olhos doces de Micael. Ele era tão puro e doce, sem medo de expor seus sentimentos. Ela diz: - Também sinto isso, desde que nos vimos pela primeira vez. Ele sabia que ela era real. Estava ali...não entendia o motivo de não poder chegar perto. Ele mais uma vez pergunta: - Não posso segurar sua mão? Clara: - Em breve, prometo. Micael impaciente: - Quanto tempo? Clara, como sempre, evasiva: - Em breve. Ele diz: - Tudo bem...e fica calado. Eles ficam mais um tempo conversando. Clara então se levanta e diz: - Agora preciso ir. Micael: - Mas já… Clara: - Logo isso vai mudar, eu prometo. Ele não entendia nada… Não tinha se dado conta que o nome dela era o mesmo da irmã de Amália...ele nem imaginava isso...Micael diz: - Te verei amanhã? Clara: - Não sei te dizer...não sei se consigo vir todos os dias. - ela perdia muita energia. Sentia-se desgastada com o fenômeno. Precisava descansar. Micael: - Eu virei aqui todos os dias. Você vindo ou não. Clara sorri, dizendo: - Agora fique aqui e me deixe ir. Micael: - Você é muito rápida. Acaso veio de cavalo? Clara sorri: - Só prometa que não irá atrás de mim...que esperará aqui um tempo … Tudo era muito estranho, mas deliciosamente misterioso. Isso o excitava. Ele diz: - Prometo. - então fica sentadinho esperando. Clara se afasta e, não estando perto de um lugar que ele pudesse vê-la, some. Micael se sente tentado em ir atrás, mas prometeu. Então fica quieto, esperando. Ela acorda em sua cama, aos seus pés estavam Miguel e Isadora. Isadora: - Viemos assim que vimos que saiu. Clara: - Está tudo bem? Miguel e Isadora se entreolham. Clara fica preocupada: - É algo com Lúcio? Isadora diz: - Não descobrimos nada sobre ele. Estamos tentando, nem sobre a tal Angélica. Clara: - O que está acontecendo. Miguel senta-se na cama. Ele gentilmente diz: - Viemos te preparar para o que está por vir. Clara fica preocupada. Miguel: - Por favor, não se assuste. Precisamos muito de sua ajuda. Além de ficar próximas de nossos filhos, tem sua mediunidade desenvolvida. Na casa temos Úrsula, com a mediunidade desenvolvida. Vai ser bom vocês se conhecerem. Clara diz: - Micael falou dela para mim. Miguel diz: - Não era hora de falarem sobre a vida após a morte, mas agora está chegando o momento. Precisamos resgatar Júlio e tentar salvar Lúcio seja lá do que está por acontecer. O plano espiritual, se nos fez ter conhecimento disso tudo, é para mudarmos o futuro e acontecimentos. Clara: - O que posso fazer? Isadora senta-se do outro lado, perto da moça: - Assim que se mudar para a casa de nossos filhos, deverá começar a conversar sobre vida após a morte com todos. Clara sente-se temerosa por Micael. Ela lembra de tudo que passou com sua família. Morreria se visse um olhar nele de desprezo, como se fosse louca. Isadora: - Não tema por Micael. Ele realmente confia em você. Lúcio é totalmente receptivo, mesmo formado em medicina e terá Amália que irá ajudá-lo a entender tudo. Miguel: - Se somente Úrsula falasse, diriam que era coisa da idade e se preocupariam. Agora vocês duas falando e Amália corroborando, tudo ficará mais plausível para meus filhos. Isadora: - Até mesmo Lucas, que é católico, e estuda a doutrina, tem fé na vida após a morte, de uma forma diferente, claro. No fundo, todos irão aceitar. Miguel: - Francisco e Pedro não duvidaram de Lúcio aceitar. O grande problema é Júlio, em todos os lados. Não só duvidar, mas maldar e até mesmo rir. Precisa se preparar para o escárnio apurado dele e mais ainda do possessor dele. Clara: - Possessor? Isadora: - Já ouviu sobre possessores? Clara faz não com a cabeça. Já tinha visto espíritos ruins, deformados, tristes, mas nunca um possessor. Seu pai tinha obsessores e uma falange de amigos, mas não um espírito transtornado com ódio como um possessor. Miguel: - Um possessor é um espírito que toma o corpo de outro por ódio e vingança. O subjugado por vezes não encontra defesas. O laço da possessão pode ser dado por vários motivos: medo, culpa, ódio...o fato que quanto o possessor encontra o domínio do corpo do subjugado, a vontade dele fica inerte. Pode sim uma pessoa possuída cometer atos que jamais faria se não houvesse sido. São casos raros e extremos, mas ocorrem e não é por demônios, como algumas religiões pregam. Clara: - Então Júlio não é tão m*l assim? Isadora diz: - Júlio ainda tem muito o que evoluir, perto de Lúcio, por exemplo. Ele é uma alma ainda presa ao umbral. Mas a crueldade nunca foi característica dele. Ele era amável e gentil, doce e sonhador. Eram traços que iriam abrandar seu grau de evolução e fazê-lo ser cada dia melhor. Ocorre que quando jovem, se decepcionou com sua alma gêmea e nesse momentos o seu verdugo umbralino aproveitou para se instalar em seu corpo, o possuindo. Então ele não se defende, isso é culpa de sua fraqueza, mas está indefeso diante da possessão. Precisa de toda a ajuda possível, normalmente um possuído não consegue se defender e sair do estado de possessão sozinho. Clara: - Mas se é tão forte assim, como podemos ajudá-lo? Miguel: - Achamos que ele logo fará uma grande maldade com sua alma gêmea. Ela aceitou passar por isso para ajudá-lo. Visto que sente-se culpada pelo motivo de com seu livre arbítrio tê-lo machucado e contribuído para a possessão, mesmo que sem a intenção. A partir do momento que Júlio machucar sua alma gêmea, sua alma vai romper-se dando a******a para o contato com seu espírito anestesiado. É como se ele tivesse sido colocado para dormir e agisse de maneira inconsciente. No momento que machucar Yasmin, ele vai sentir e acordar. Despertando ele vai começar a lutar e querer reagir e, nesse momento, ele ficará receptivo a todos nós, embora o possessor o deixe mais agressivo tentando duelar pelo corpo. Clara sentia-se confortável com todos aqueles conceitos. Tudo era muito plausível para ela. Ela vivia entre os mundos desde pequena. Sabia de tudo aquilo que falavam. Tinha, por exemplo, conhecido casos de zoantropia e licantropia, entre outros. Para a maioria dos encarnados, tudo era coisa da cabeça maluca da moça, mas ela já tinha visto muita coisa. A mediunidade de Clara era muito forte e tinha vários tipos. O que normalmente acontece um ou dois tipos em uma pessoa. Clara tinha uma missão na terra, transitar entre os mundos e ser ponte. tinha quase desistido, pelo desprezo e gozação de familiares, mas seu mentor espiritual era muito forte. A mantinha serena mesmo diante de tanta dificuldade. Clara diz: - E nesse momento, todos precisaremos ajudá-lo? Miguel: - Até para que ele não faça o pior com Yasmin, que mesmo sendo alma gêmea dela, está encarnada, tem livre arbítrio e é alguém que esqueceu do passado. Isso pode separá-los por séculos, coisa que o possessor adoraria e ficaria mais forte. e por mais evolução espiritual de Yasmin, sendo que um espírito uma vez atingido um grau de evolução não retroage, porém estando encarnado e preso a matéria, pode vir a se aprisionar no umbral por limitações e carmas que sua nova existência lhe confere. Sempre devemos orar e vigiar, superar expiações e realizar provas, mas sempre evitar angariar novos carmas. Clara: - E se Júlio não conseguir ter forças? Isadora diz: - Ele terá. Não há outro caminho na vida de um espírito...seja de luz ou das trevas: Deus. Ele vai lutar seguindo para a luz. Pode demorar, mas vai. Mas acreditamos que o amor dele com Yasmin lhe fará acordar e lutar. O amor é o único meio que encontramos para enxergarmos o caminho da luz. Como se Deus tivesse colocado em cada espírito um dispositivo que o levasse de volta para casa.
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