A sala de espera dos formandos estava saturada com uma eletricidade quase palpável. O ar era espesso, carregado com o aroma de perfumes caros, laquê de cabelo e o suor frio do nervosismo coletivo. No meio daquele redemoinho de becas pretas e capelos sendo ajustados apressadamente, Zafira buscou refúgio em frente a um grande espelho de moldura dourada. Por um breve segundo, ela não reconheceu a mulher que lhe devolvia o olhar. Havia uma segurança nova em suas íris, uma luz que ia além da vaidade. O vestido azul-marinho, escolhido após semanas de dúvida, caía como uma luva sobre suas curvas, a seda deslizando sobre a pele com uma elegância discreta. A maquiagem leve servia apenas para emoldurar sua beleza natural; ela não precisava de muito para brilhar naquela noite. Seus cabelos, ca

