Fantasma narrando
Foi no dia seguinte a festa dela de 15 anos, o irmão dela resolveu fechar a favela dele também, fazer um churrasco lá na piscina, pra comemorar o aniversário dela e a casa nova dele, tava tudo suave, até ela aparecer de biquíni vermelho, cabelo solto batendo na b***a, óculos escuro e com um perfume que me fez virar a cabeça na hora pra olhar quem estava entrando, eu voltei a cerveja que tava no copo na hora sem conseguir reagir aquela menina que eu vi crescer e que agora era a mulher mais bonita que eu já tinha visto na vida, e acima de tudo a única que era proibida pra mim ou pra qualquer outro homem…
O irmão dela surtou, eu não consegui nem falar nada, eu só concordava com ele tentando não olhar pra ela, mas era impossível, parecia um ímã que me chamava, o seu corpo, seu jeito abusado, seu sorriso, era como se cada pedaço dela fosse feito para a minha ruína e era…
Ela alegou que estava em família, e nunca usa biquíni em lugar nenhum mas ali podia, e realmente podia, mas p***a, eu não deveria ter ficado daquele jeito, eu estava errado, eu estava errando, eu estava completamente fudido. E dali pra frente tudo ficou pior, muito pior…
Os anos foram se passando e eu não tive outra escolha a não ser me afastar dela, eu não conseguia mais, eu não conseguia ver ela chegando na boca, andando na rua, passando por qualquer lugar que eu ficava maluco. Aquela menina que eu vi crescer agora era uma mulher, linda, gostosa, empoderada, que nunca se diminuiu ao julgamento de ninguém pelo seu corpo, e de fato, nem podia, a não ser pelo crime que ela mesmo exalava por onde andava com aquela beleza e aquele corpo…
Quando ela entrou pra academia eu surtei, ela não me via, mas eu ia sempre atrás, eu via ela com aquelas roupas coladas, um monte de vagabundo olhando e eu punia cada um usando o nome do pai dela que não sabia da metade que estava acontecendo ali, e não poderia saber o porque eu estava sendo tão chato com tudo, mas eu não conseguia ser diferente. Sem dúvidas nesses últimos três anos eu me afundei, eu durmo e acordo dentro de b****a, eu como tudo quanto é tipo de mulher 24h por dia se deixar, até pô eu já usei quando ela postou uma foto com 10kg a menos e eu odiei ela por ter perdido peso, não precisava, ela não ficou mais gostosa ou menos gostosa, ela continuava a mesma mulher maravilhosa e extremamente PROIBIDA pra mim, e isso me fazia perder inúmeras noites de sono.
Eu me odiava por me sentir daquela forma, eu me odiava por vê-la daquela maneira, eu ficava puto comigo mesmo por não conseguir evitar aquilo. Era mais forte que eu, teve dias de eu precisar sumir porque ela estava na boca resolvendo alguma coisa e eu surtava, quando ela terminou a escola e eu fui na sua formatura eu não consegui ficar dez minutos lá vendo ela naquele vestido vermelho com mais da metade da perna de fora numa f***a gigante e um decote que era um convite pra morte, não era vulgar, não era nada demais, era sexy, sensual, como ela é, ela exala sensualidade, e eu tive que fingir que aconteceu alguma coisa na boca e ir embora urgente. Nesse dia eu não sei quantas mulheres eu comi, eu sei que foram muitas, muitas mesmo, eu me entupi de pó, acordei tonto com mais de 5 mulheres à minha volta. Eu evito ela a todo custo porque eu sou leal a família, ao meu parceiro é porque eu não posso tê-la dessa forma, não posso, isso é simplesmente impossível, um crime, que eu não posso nem de longe chegar perto de cometer.
Com ela na faculdade tudo ficou ainda mais insuportável, meu parceiro tá boladao com o acordo que nós fizemos e eu prometi pra ele que eu ia ajudar ele nessa questão da segurança dela, ele queria que fosse eu pessoalmente pela nossa confiança, mas isso eu não podia, não tinha como. Eu tive que usar o argumento que eu sou procurado pra não fazer isso, porque eu não consigo ficar mais do que dez minutos perto dela hoje em dia que parece que eu vou sucumbir o corpo dela, que eu vou avançar nela feito um animal e mostrar o preço que se paga ao provocar um homem como eu. Mas, hoje, tudo saiu do controle, tudo foi além…
Eu estava no morro, bebendo com os caras e vi que já era hora dela ter chegado na favela, ou pelo menos os seguranças dela me avisarem qualquer coisa sobre movimentação dela na faculdade, e foi por isso que eu mandei mensagem pra ela, porque eles me falaram que estava tudo tranquilo, que estavam esperando o carro dela passar pra seguir, até que um menor da segurança que faz faculdade no mesmo lugar que ela disfarçado pra ficar na tocaia dela, que ninguém sabe, nem ela, me avisou que a turma dela já tinha saído a muito tempo. Ali eu surtei, tive os piores pensamentos do mundo, já imaginei um monte de merda. Joguei a p**a que estava no meu colo no chão e fui pra boca desesperado, mas o meu mundo se abriu quando eu vi que ela não me respondia, o que já era comum, porque eu sei que hoje em dia, pelas minhas atitudes, ela me odeia, mas mesmo assim, eu precisava achar ela, e quando eu vi aquela foto dela bebendo, coisa que ela não faz, e depois ela com um desgraçado beijando a sua boca eu explodi, eu peguei o carro e sai atrás dela, até que a filha da p**a desligou a localização, ali eu perdi a calma completamente, eu fiquei maluco, eu fui até onde a localização dela marcou pela última vez e achei um grupo de moleque é bem no meio eu vi o moleque da foto, eu não pensei, eu não vi nada, eu não pensei em mais p***a nenhuma, eu gravei a p***a da tatuagem que ele tinha no pescoço, e quando eu reconheci eu desci do carro na mesma hora e fui andando na direção do grupinho vendo ele beijando outra mina, era ele, ele tinha tocado na boca da minha Rafaela, da minha menina, e isso eu não podia aceitar nunca
— chefe, chefe ela já foi, ela não tá aqui — os seguranças dela vinham gritando atrás de mim e eu não via nada, nem os carros na via enquanto eu atravessava, nada era capaz de me parar
— filho da p**a — eu puxo o menor da boca da menina e já saio enchendo a cara dele de porrada
Iniciou a maior gritaria do mundo e eu não estava ligando pra p***a nenhuma, eu só sabia bater naquele moleque de todas as formas enquanto um monte de gente gritava desesperada
— para chefe, ele apagou, para chefe — meus seguranças começam a me puxar e eu jogo o moleque dentro da lixeira que tinha ali e saio do bar sem dizer mais nem uma palavra
— cadê ela ? Eu quero notícias dela agora! — eu grito pelo rádio já dentro do meu carro
As minhas mãos tremiam enquanto eu acelerava, o meu peito parecia que eu ia infartar. Eu não conseguia respirar direito, eu tirei a minha camisa e coloquei a mão no peito enquanto dirigia porque eu realmente achei que fosse morrer naquele momento só de lembrar que outro homem tocou nela, e que ela deu fuga de mim dessa forma
— chefe chefe, ela tá no morro do irmão dela, tá na casa dele — os menor avisa no rádio e eu dou meia volta e vou pra minha favela de volta
Eu não tinha condições de ir pra casa do Thor daquela forma, eu não sei o que eu era capaz de fazer se pegasse ela agora, eu não ia me controlar, eu estava completamente fora de mim
Eu fui direto pra boca e fumei a noite inteira, eu não conseguia mais negar esse sentimento, eu não conseguia mais seguir a linha do certo e o errado, não conseguia mais respeitar o proibido, essa p***a ia me matar, eu não estava mais aguentando essa sensação horrível
Quando amanheceu eu saí atordoado, os vapores tudo me olhando assustado, e eu não falei com ninguém, eu não sou assim, eu falo com todos eles, sei da vida de cada um, dos erros e acertos de todos eles, eu sei de tudo, bebo com eles, zoo com eles, mas hoje, hoje eu não tava com cabeça pra ninguém…
Entrei no carro e acelerei morro acima pra pegar a mata que liga uma favela na outra, esse caminho é um labirinto e se não souber entrar nunca mais sai, eu acelerava até chegar na casa do Thor
— fala chefe, patrão acabou de sair — o segurança da casa dele faz o toque comigo
— Rafaela tá aí ? Preciso entregar um bagulho que o pai dela mandou — eu minto e eles concordam e eu já vou entrando indo direto pro quarto dela
Como a casa estava vazia eu esmurrei que a minha vontade era de arrombar aquela porta, mas eu não imaginava que ela ia me receber daquela maneira, I’m aquela roupa, se é que aquilo pode ser chamado de roupa…
— sai do meu quarto, sai daqui agora — ela tenta passar por mim pra abrir a porta mas eu coloco o meu corpo na frente do seu impedindo sua passagem e fazendo com que nossos corpos se colassem de frente um com o outro
— sair daqui ? Eu vou, mas tu vai comigo, tu tá achando o que ? Tu ficou maluca de sair por aí bebendo e beijando vagabundo mauricinho do c*****o, tu achou que eu não fosse lá ? — eu rosno encarando ela que olhava pra cima pra poder olhar nos meus olhos e eu tinha que me forçar a ficar com o olho nos olhos dela, porque a todo momento ele insistia em olhar para aquele decote que era o meu funeral quase nas minhas mãos…
— você foi lá ? Você é maluco ? Você acha que é o que ? Meu pai ? — ela grita me empurrando e se afastando de mim cruzando os braços e nesse momentos eu engoli seco olhando todo o seu corpo sem conseguir disfarçar
— não, Rafaela — eu falo me aproximando dela de novo — eu não sou o seu pai…— eu falo encarando os seus olhos que me olhavam pegando fogo tanto quanto o meu corpo estava quase explodindo de estar entre quatro paredes com ela naqueles trajes…