Rafaela narrando Eu não estava normal naquela noite. Por mais que eu tentasse me convencer de que aquilo era apenas mais uma operação, mais uma invasão como tantas outras que já tinham acontecido ao longo da minha vida dentro de favela, havia algo diferente naquela sensação que crescia dentro do meu peito. Era como se o ar estivesse mais pesado, como se respirar exigisse um esforço maior do que o normal, e por mais que eu tentasse manter a cabeça no lugar, a inquietação não diminuía. Eu caminhava pela sala da casa sem conseguir ficar parada em nenhum lugar por mais de alguns segundos, indo da janela para a mesa, da mesa para o rádio, do rádio para o celular e voltando para a janela outra vez, enquanto minha mente girava numa velocidade que eu não conseguia acompanhar. Eu já tinha vivid

