Capítulo 02

1626 Palavras
Rafaela narrando Me despedi do pessoal antes que o louco aparecesse ali no barzinho onde estávamos, meu celular desligado, eu entrei no meu carro e peguei meu outro telefone desligando a localização pra ele, peguei o rastreador que ficava debaixo do banco de trás e joguei pela via expressa assim que eu acelerei pro morro do meu irmão. Poderia parecer uma atitude muito infantil, mas eu tô cansada dele querer controlar a minha vida sem me dar nem um oi, agir como se eu importasse pra ele e quando me ve na rua fingir que eu nem existo, dar ordens na boca pra ninguém falar comigo quando eu vou lá, e eu passar cercada de seguranças que parecem estar prontos para matar os próprios seguranças da boca, isso sim é ridículo. Ele age como se fosse o meu dono. E eu sei que isso não é ordem do meu pai, porque o velho pode ser chato com tudo, mas dentro do morro eu sou livre desde que ele tenha acesso a mim a qualquer minuto, e eu que não sou boba nem nada, por esse outro celular mandei logo mensagem pro meu paizinho — oi amor da minha vida, estou indo dormir na casa do meu irmão, acabei de sair da faculdade e não quero ficar sozinha em casa sem a mamãe — eu mando pra ele que no mesmo minuto visualiza. Amanhã tem visita, então minha mãe já está lá no Mato Grosso, e por isso eu sabia que era muito mais fácil fazer essa graça e dar esse pinote no fantasma. — tá bom vida, te amo, essa é a última, se Deus quiser, estou morrendo de saudade de vocês — ele manda de volta e meus olhos já enchem d’água E como dizem, é longa mas não é perpétua, mas dói tanto quando é alguém que amamos que está lá dentro… Meu pai é muito carinhoso comigo, minha mãe também, meu irmão então nem se fala. Com os outros eles não são tão amigáveis, principalmente com a vida que temos. Mas, entre nós nunca faltou amor e carinho, mesmo com a distância meu pai sempre foi muito presente. Ele chorou tanto quando meu irmão assumiu o morro, quando meu irmão trocou tiro pela primeira vez, ele ficou desesperado. No meu aniversário de 18 anos eu queria matar meu pai de tanta vergonha, ele mandou um trio elétrico pro morro porque ele achou pouco um carro de som no meu aniversário de quinze. Ele botou uma faixa amarela na entrada da favela, soltou uma hora de fogos pra mim, mandou esse carro de presente pra mim, me deu uma casa, e liberou uma vista extra pra mim. Ele faz de tudo por nós, por isso dói tanto essa distância. Ainda mais ele tão longe, e eu sei que ele é assim conosco mas a lista de crimes do velho é longa… e eu nunca esqueço do porquê ele foi pego e foi parar lá… De tantas coisas que ele já fez na vida, o motivo dele ter caído pode parecer extremamente fútil, mas ele bate no peito e assume com honra a prisão dele. Eu estava no baço de trás do carro, na cadeirinha, voltando de uma consulta médica com a minha mãe, armaram uma blitz falsa, e ele rodou porque ele entrou pra trocar tiro com a polícia quando queriam levar a minha mãe presa comigo junto, e ele não deixou, eu não sei até hoje, não entendo como ele chegou tão rápido lá, mas a minha mãe fala que foi coisa de menos de 10 minutos um caminho que levava pelo menos 40. Esse é o nível de loucura do meu pai pela família. Cheguei na entrada do morro do meu irmão e os vapores já foram liberando passagem pro meu carro, eu buzinei como sempre e eles abaixaram a cabeça, o meu irmão é tão psicopata que ele sim, ele proibi qualquer um de falar comigo, é surreal as coisas que meu irmão faz com ciúmes de mim. Fui subindo a favela e aqui não tem diferença nenhuma de onde eu moro, movimento o dia todo, a noite toda, e marmita quase pendurada no poste de perna aberta, é loucura… Eu já falei que meu irmão deve ter uns 15 filhos perdidos por aí de tanta b****a que ele come por dia — vidaaaa cheguei — eu falo parando na garagem dele e vendo que a moto dele já estava lá, claro que ele ia vir receber a melhor irmã do mundo né — não trouxe nem um podrão pra mim Rafaela ? Tô morrendo de fome — ele fala abrindo a porta de casa só de bermuda — que podrão o que, eu sou visita tu não fez uma jata pra mim ? — eu falo fingindo indignação e ele vem me cheirando igual cachorro de polícia — sai garoto que isso ? Tá chapado ? — eu falo me esquivando dele que me gruda pelo cabelo — tá com cheiro de perfume de homem por que ? — ele fala e eu já reviro os olhos — e com cheiro de bebida, o filha da p**a eu vou te fuzilar — ele fala bravo e eu passo pra cozinha — tava dando num puteiro com um monte de homem fazendo body shot em mim — eu falo e ele se joga no chão fingindo desmaio e eu começo a rir e jogo água nele — tô falando sério Rafaela, onde você estava ? — ele pergunta se secando da água que eu joguei nele — a aula acabou mais cedo o pessoal foi beber, eu fui com eles fiquei um pouco e vim pra cá — eu falo a verdade quase completa — tá não explicou p***a nenhuma, esse cheiro de mauricinho grudado em tu — ele fala de braços cruzados com a arma na cintura como seu eu, Rafaela tivesse medo de arma, sendo que se bobiar eu atiro melhor que ele — tu só não tá com cheiro de p**a porque tomou banho e quer vir controlar o meu cheiro, sai fora piru fino — eu falo e ele sai correndo atrás de mim e eu saio correndo dele Nós saímos correndo pela casa e ele me jurando de morte, coitado… Engraçado que ele pode tudo, agora eu eles querem me colocar num convento, isso porque eu gostosa demais, eu entendo o desespero do gato — sai adotado, achado no lixo — eu grito quando ele cai no chão e me puxa pelas pernas — achada no lixo foi tu, herdeira do lixão da mãe lucinda— ele fala e me arrasta pelo chão enquanto eu tentava chutar ele com a outra perna — tu não vai falar de quem é esse cheiro não ? Suave — ele fala e me joga pra dentro da piscina — eu vou te matar adotadoooo — eu grito saindo igual uma louca da piscina mas o rato já tinha corrido pra dentro de casa e se trancado no quarto dele — eu vou molhar a tua casa inteira também, lixudo — eu falo e vou pro meu quarto e tranco a porta porque da última vez que dormi aqui ele colocou uma caixa de som no último volume no meu ouvido 4:30 da manhã Nós nos amamos sim, mas a implicância de irmãos é eterna, minha mãe já quebrou a vassoura em nós dois porque nós estávamos numa guerra dentro de casa quando éramos mais novos e sem querer atropelamos ela e derrubamos uma travessa de lasanha no chão, eu não sei se choramos mais pela vassourada ou pela lasanha fresquinha que ficamos sem Fui pro meu banheiro tomar meu banho de princesa e vi que minhas coisas que eu deixo aqui de cabelo estavam praticamente vazias, o adotado usou tudo e nem cabelo ele tem, pois ele que se prepare porque eu vou pegar o cartão dele e comprar tudo de novo, ele sabe muito bem disso Tomei meu banho humilde porque de princesa pro max foi cancelado graças a ele, coloquei meu baby doll que fica mini doll no meu corpo já que não cobre nada, mas estava um calor infernal então ia ser ele mesmo, e fui dormir… bom, eu queria dormir, mas quem disse que eu conseguia ? Eu não conseguia pregar o olho pensando no fantasma Eu não sei porque ele faz isso comigo, age como se se importasse comigo, e me afasta dele, eu tenho tanta raiva disso, tanta que me tira o sono… Se não fosse o cansaço eu não teria dormido essa noite, mas até nos meus sonhos ele aparece… Do nada eu me via dentro da boca, resolvendo alguma coisa quando ele invadiu a minha sala e suas mãos foram parar direto no meu pescoço, sua barba roçou a minha pele me deixando fervendo, eu queria ele, eu queria muito — por que você foge de mim ? — eu pergunto com a voz ofegante e ele não falava nada Suas mãos subiam pelo meu corpo e de repente quando ele ia me beijar eu ouço a porta do quarto ser esmurrada quase indo ao chão me fazendo despertar na mesma hora dando um pulo da cama e saindo correndo na direção da porta — que p***a e essa ? O que tá acontecendo ? — eu grito destrancando a porta e travo quando vejo ele ali na minha frente — você tá de s*******m com a gente p***a da minha cara ? — ele invade o meu quarto e bate a porta com tudo atrás dele e eu engulo seco com o meu corpo tremendo com a p***a do sonho vivo na minha cabeça como se tivesse acontecido de verdade
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