Capítulo 18

1406 Palavras
Thomás Arremesso o copo vazio contra a parede em meio a um ataque de fúria fazendo o vidro se espalhar por toda a sala. O detetive, que contratei para encontrar Brenda depois que fugiu, me encara com os olhos arregalados. Em choque com o que acaba de presenciar. _ Você tem certeza do que está me dizendo? – Questiono buscando controlar a raiva. _ Total certeza, senhor Lancaster. – Limpa a garganta antes de continuar. – A sua esposa e filha estão em Valencia. Estavam morando numa casa próxima da praia com esse homem da foto. – Me estende uma foto ampliada. O homem em questão está de costas para a câmera, mas o reconheço assim que bato meus olhos na imagem. Sinto o sangue ferver ainda mais de raiva ao me dar conta de que se trata de Fernando Contreraz. Não acredito que aquele fedelho está novamente no meu caminho e mexendo no que é meu. _ Devia ter acabado com você quando tive a chance. – Murmuro para a foto um tanto amassada em minhas mãos. – O que descobriu sobre eles? _ O rapaz, Fernando Contreraz, saí pela manhã para trabalhar e volta à noite. – Segue com o seu relato. – Sua esposa e filha ficam sozinhas na casa nesse intervalo de tempo. _ E o endereço? _ Estão no relatório. – Me estende uma pasta parda. – Tanto o da casa quanto o do lugar onde o Fernando trabalha. _ Isso é o suficiente. – Digo pegando a pasta. – Pode ir. Não preciso mais dos seus serviços. – Ele se retira depois de um aceno de cabeça. Largo a pasta sobre a minha mesa e me apoio nela com as mãos cerradas em punho. Meus olhos recaem novamente sobre a foto dos dois traidores juntos. A raiva me cega completamente e começo a arremesso e quebro tudo o que vejo pela frente até que, por fim, me acalmo. _ O que houve aqui? – León questiona ao entrar e encontrar o lugar completamente destruído. – Parece até que passou um tornado por aqui. _ Finalmente encontrei a sua filha. – Digo passando as mãos nos cabelos na tentativa de realinhá-los. – Ela está em Valencia. – Mostro a foto para ele. _ Esse na foto não pode ser... _ É ele mesmo. Fernando Contreraz. Aquele moleque está outra vez no meu caminho. _ Aquela menina não aprende. – Murmura cheio de raiva. – O que pretende fazer agora que sabe onde ela está? _ Eu vou fazer ela se arrepender por ter ido embora. E ele por ter atravessado no meu caminho novamente. Os dois vão descobrir que com Thomás Lancaster não se brinca. Atravesso o escritório passando por León com passos firmes. Mando uma empregada fazer as minhas malas enquanto freto um jato para Valencia ainda nessa tarde. O motorista me leva para o aeroporto quando tudo está pronto. Embarco junto com os meus homens de confiança assim que chegamos. Aproveito o voo para reler todo o relatório do detetive. Tenho que planejar como vou agir a partir de agora. Não posso fazer nada por impulso. Sigo direto para o hotel assim que pousamos. Depois de estarmos todos acomodados envio dois dos meus homens para ficarem de olho na casa que Brenda está morando e também no trabalho do fedelho. Quero saber cada passo deles antes de agir de fato. _ Vocês não perdem por esperar. – Digo para a foto do casal feliz que tenho em minhas mãos. Brenda Desperto com um leve toque em meu rosto seguido por um beijo suave na ponta do meu nariz. Sorrio enquanto abro os olhos preguiçosamente. A primeira coisa que vejo são aqueles lindos olhos azuis que tanto me tranquilizam. _ Oi. – Murmuro virando para ficar de frente para ele que está deitado ao meu lado na cama. _ Oi. – Sorri afastando uma mecha de cabelo do meu rosto. – Dormiu bem? – Assinto com um maneio de cabeça. – Como se sente? _ Bem. – Digo tocando seu rosto num tímido carinho. – Revigorada. _ Que bom. – Diz levando minha mão até os lábios e depositando um beijo suave na palma. – Eu disse que umas horinhas de sono te fariam bem. _ Como assim horinhas? Que horas são? _ É quase hora do jantar. _ Como assim? – Sento abruptamente e quase o derrubo da cama. – Por que você me deixou dormir tanto? O que a sua mãe vai pensar de mim? _ Calma, Raio de Sol. – Fala em meio ao riso. – Respira fundo. – Pede segurando os meus ombros quando estou a ponto de hiperventilar. – Está tudo bem. Deixei você dormir porque imaginei que precisava dessas horas de sono para se recompor um pouco depois de todo o sufoco que passou. E a minha mãe pensou o mesmo. _ Certo. – Digo tentando me acalmar. – E onde está a minha filha agora? _ A abelhinha está atrás da minha avó nesse exato momento. – Sorri de lado enquanto faz um carinho em meu braço. – Ela está adorando. A dona Lúcia se derrete toda sempre que Olívia a chama de vovó. _ Isso não está certo. – Me afasto de Nando na intenção de sair da cama, mas ele me impede segurando o meu braço nos deixando extremamente próximos um do outro. _ O que não está certo? _ Deixar que as duas se apeguem tanto. Elas vão sofrer muito no dia em que formos embora. _ Quem disse que vocês vão embora? – Pergunta com a voz um pouco mais alta que um sussurro. – Eu não vou deixa-las irem a parte alguma. – Segura meu rosto entre as mãos reduzindo ainda mais a distância entre nós deixando nossas testas coladas uma à outra. – Vocês vão ficar aqui. Comigo. _ Não quero te causar problemas. – Digo no mesmo tom. – Porque é isso que você vai ter por nos ajudar. _ Não dou a mínima para os problemas. – Fala com os olhos vidrados nos meus. – Tudo o que importa é ter você e a quela abelhinha por perto. O resto não tem a menor importância. Seu olhar desvia rapidamente até a minha boca e voltam aos meus olhos antes de tomar meus lábios num beijo. A princípio é um beijo leve, mas que vai se tornando urgente a cada segundo que passa. Suas mãos, que estavam segurando o meu rosto, descem até as minhas costas e sinto o meu corpo reagir ao seu toque. É a melhor sensação que já tive. Sinto como se as coisas estivessem novamente em seu devido lugar. Mas ao mesmo tempo que gosto do toque também me assusta. A minha mente traiçoeira me leva até os momentos em que Thomás me tocava a força. _ Não. – Empurro levemente o seu peito o afastando. Espero por gritos, empurrões e ameaças, mas tudo o que recebo é aquele lindo sorriso. _ Tudo bem. – Garante beijando ternamente minha testa. – Vamos descer para jantar. Você precisa comer nos horários certos. – Levanta me trazendo junto. – E nada de brincar com a comida. – Abro a boca para protestar, mas ele impede. – Nem adianta negar. Já vi você jogando a comida de um lado para o outro do prato muitas vezes. _ Era força do hábito. – Ergo levemente os ombros. – Quase nunca sentia fome. – Em especial quando tinha acabado de ser tocada por aquele homem, completo mentalmente. – E ninguém se importava se estava comendo ou não. _ As coisas mudaram agora. Eu estou com você. E vou cuidar para que fique bem. – Promete e quero acreditar. Estou cansada de lutar sozinha. Mas não consigo. Então apenas me calo. Olívia se apressa em se jogar nos abraçar assim que chegamos à sala. Está eufórica e falante como nunca vi. Não deixa o colo de Nando um segundo sequer e ele não parece se incomodar nenhum pouco com isso. Procuro por algum olhar de reprovação da mãe dele, mas só vejo ternura. Quero simplesmente aceitar que estão sendo sinceros. Que não existem segundas intenções. Mas não consigo acreditar porque as pessoas com quem estive vivendo nos últimos seis anos me ensinaram a esperar o r**m das pessoas e é isso que faço agora. Espero para levar o golpe de Nando e de todos que o cercam.
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