Lendas | parte I

2930 Palavras

  Era cedo. Cedo até demais. Cedo para crianças estarem na cama, tarde para irmos dormir e certeiro para os trabalhadores que esperam seus despertadores tocarem. Iniciando assim, um dia normal para vários, surpreendente para outros, e principalmente, odioso - repleto de ordens e compromissos entediantes - para outros. As passarelas sem pedestres e as avenidas com os primeiros fluxos de carros me acalmavam. Estando com Gabriel no carro - que de anjo, não tinha nem a fisionomia - eu sabia que nenhuma manhã seria igual. E sabia que jamais odiaria o despertador. — Vamos ter que encostar. - Diz Gabriel. — Por quê? Não! Não pare! De uma só vez, Gabriel freia, parando no acostamento:  — Não podemos chamar atenção por qualquer coisa. - O retruca. Suspiro fundo, saindo do carro. Levanto o capu

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