Pensamentos

1004 Palavras
Inspirado na música Pretty Thoughts - Alina Baraz & Galimatias "Você olhou para mim com segurança Eu, eu não conseguia parar de olhar Tirou sua jaqueta como, Como se você estivesse aqui para ficar Perseguindo seus lindos pensamentos E o seu amor de plástico" Era um dia daqueles memoráveis, cujo desejamos colocar na estante amadeirada da sala, para que enfeitem nossos pensamentos já empoeirados, mas tão reluzentes em nossas mentes. Sua autoconfiança era notável e, não posso negar, sempre admirei isso nas pessoas. Alguém cujo tem autoconfiança sabe o que quer e não vai te diminuir pra te manipular, porque gosta de si próprio e isso é o suficiente. Sabe, ele não precisa da companhia de ninguém pra se sentir completo. Não fala coisas vazias pra suprir carências egoístas. Talvez isso seja uma qualidade. Alguns podem chamar de narcisista aqueles que são diretos com o que desejam, mas depois de uma baita desilusão e um coração quebrado por conta de amores criados sozinhos - e que logo expulsei da minha estante porque doía demais - almejo imensamente um narcisista pra costurar as rachaduras que eu própria criei, e que me faça lembrar do que é ter a segurança que sempre tive e que eu mesma abandonei. Que seja sincero, como sempre é e sempre foi. Sem entrelinhas. Que seja acostumado a agir assim. Até porque, não sabe agir de outra forma. E eu vi isso em você depois de poucos instantes te observando no bar. O bar que fui pela primeira vez, porque já estava lotada de vazio. Vi você conversando com a moça que te servia, mas, incrivelmente, não te achei um patético. Não era um jogo. Parecia tão fácil pra você. Tão natural. E então eu te observei tanto, que você parou de falar com a moça e me olhou. Eu desviei meu olhar, admirando a taça de Martini que eu nem havia tocado. — Dia difícil? — Perdão? - Me assusto com tal abordagem. Na verdade, não entendi bem a pergunta. Por que logo essa indagação? Estava eu com a feição derrotada a esse ponto? Minha aura de desânimo se infiltrou naquele bar?! — Seus pensamentos parecem longe. E você nem experimentou sua bebida. — É, meus pensamentos estão querendo me dizer que não era bem isso que eu buscava. - Fito a bebida intacta. Levanto-me ao fim, ajeitando a alça da bolsa sobre meu ombro. E você entendeu. Sei que entendeu. Eu buscava você. "Lá se vai minha mente Deixe ir Você é aquela fita cortada em perigo, Um dia você terá o rosto de um estranho(Estranho, estranho, estranho)" Você me disse que era do FBI. E eu só conseguia pensar nas fitas amarelas postas dizendo não ultrapasse. Mas você as ultrapassava. Você precisava ver o que tinha além delas. Eu me sentia como essa fita. Ao não me abrir e ser um fato sólido na minha mente "não me envolver", deixei qualquer preocupação de lado e foquei no que vivia. No que vivíamos. Deixei você me inspirar, me abrir, me explorar. Deixei você me curar. E posso dizer que me libertei de querer me libertar. Dizia a mim mesma que como uma cena de crime, uma hora ou outra, você precisaria ser interditado. Mas você me ensinou a lutar através das fitas. Nunca pensei que isso ocorreria, quando só queria cessar as batalhas. Mas acabei aprendendo que na falta da luta, mora o vazio. E não é bom morar lá. Gostei de morar em você. "Eu, eu não conseguia parar de olhar, Perseguindo seus lindos pensamentos Você é meu, Você está afundando em minha alma, Perseguindo seus lindos pensamentos" Sem poder imaginar, acabei curando você também. Preenchia-me um sentimento novo quando você se levantava pra ir embora ao amanhecer. Sabia que você voltaria na noite seguinte, porém, queria mais. Você queria mais. Nós queríamos mais. Queríamos um ao outro. O vazio da sua presença começou a lotar meu espírito. E eu entendi que vazio é subjetivo. Ele tem forma, sentido e explicação. Mas preciso viver com ele até quando? Pra toda eternidade? Pra que essa necessidade de sentir? Sentir necessidade de sentir é tão ilógico. "Em intervalos que você está afundando (você está afundando) Você está afundando em minha alma Pensei comigo mesma:"Não, não perca o controle" Comecei a te despir, com os meus olhos curiosos Disse a mim mesmo que você iria embora no nascer do sol, Porque você é aquela fita cortada em perigo, Um dia você terá o rosto de um estranho(Estranho, estranho, estranho)" Estava tudo pronto pra que você viesse. O interfone toca, ouço suas botas baterem contra os degraus. Deparo-me com seu rosto em lágrimas e eu pensava certo, ok, isso é normal, não tem nada de errado nisso, somos seres humanos e uma hora vamos ceder às nossas fraquezas, tudo está normal, não há nada nisso. Até que depois de você se acalmar, estávamos sentados no chão, com minhas mãos amparando seu rosto úmido e nossos pensamentos flutuando em cores pelo meu apartamento. Olhávamos um nos olhos do outro. Sinto seu vazio. E entendo que vazios não somem. Completam-se. Sinto os tecidos que o trajavam e os toques sendo enviados ao meu corpo. Traços seus sendo acalentados por certezas minhas. Olhares interpretando o que gaivotas cochichavam ao céu, trazendo-me a calmaria que sem entender, te transportava. E você me transportava de volta. "Eu, eu não conseguia parar de olhar, Perseguindo seus lindos pensamentos Você é meu, Você está afundando em minha alma, Perseguindo seus lindos pensamentos" Declínios. Degraus tortos. Defesa corruptível. Estava à mercê de você. Quando lhe procurei para estar à mercê de ninguém. Você havia me procurado para o mesmo. Todavia, m*l sabia eu que ao contrário de mim, você amou navegar sobre redes seguras. Mas você temia essas redes. Seria forte o suficiente? Não iriam despencar? Iria eu embora de sua vida? Você me contou sobre ela e me chamou pra ir com você. Com minha estante lotada, procurava um espaço nela e acima do vazio. E você achou.
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