Capítulo 17

1012 Palavras
— Eu arrumei a mesa! – Giulia fala orgulhosa de si. — Parabéns, gatinha! – Bernardo diz orgulhoso. Bernardo segura o rosto de Giulia com a mão o cobrindo completamente enquanto sacode sua cabeça, as suas gargalhadas infantis são abafadas pela mão de Bernardo. — Coma todos os seus legumes! – Bernardo fala se sentando na mesa, ao lado de Giulia. Encarava Bernardo em silêncio, como se o meu olhar tivesse poder para transmitir minha raiva e indignação. — Meu Deus, esse peru está delicioso! – Ellen diz com a boca cheia. – Os bebês até deram um chute de tanta felicidade. — Estava indo fazer uma carne assada e legumes no vapor, mas quando você veio na cozinha e me falou do seu desejo, tive que realizar! – Bernardo sorri amigável. – Meus sobrinhos não podem nascer com cara de peru. — Ah, então era isso que vocês estavam conversando na cozinha quando voltei do banheiro, hoje mais cedo. – Digo, ainda encarando Bernardo. Os olhos negros da advogada voltam sua atenção para o meu rosto, sua expressão muda para apreensiva ao perceber meus olhares para Bernardo. — Aconteceu alguma coisa? – Ellen sussurra próximo ao meu ouvido, para que apenas eu ouvisse. — Depois eu te conto... É uma coisa que a Giulia disse e me deixou desconcertado. – Suspirei, tentando suavizar minha expressão facial. – Aproveite o almoço, conversamos depois. (....) A tensão paira no ar enquanto Bernardo recolhe os pratos sujos da mesa. Observo-o em silêncio, sentindo o peso das palavras de Giulia ecoando em minha mente. Quando finalmente ficamos a sós, decido abordar o assunto que tem me incomodado desde o almoço. — Bernardo, preciso falar sobre algo que a Giulia me disse. Ela mencionou algo sobre você ensiná-la sobre chantagem... – Minha voz é hesitante, temendo a resposta que virá. Bernardo ergue as sobrancelhas em surpresa, seu olhar confuso se fixando em mim. — O quê? Eu nunca ensinei nada do tipo para Giulia. – Sua voz é firme, rejeitando a ideia com veemência. Respiro fundo, sentindo-me ainda mais perplexo com a situação. Como pode ser que Giulia tenha inventado algo tão sério? — Ela me chantageou, Bernardo. Disse que revelaria uma conversa que teve com Ellen em troca de uma recompensa. – Minha voz sai em um sussurro, pesada com a gravidade da situação. Bernardo parece atordoado com a revelação, seus olhos demonstrando incredulidade. — Isso não faz sentido. Eu nunca falei algo assim com Giulia. Ela deve estar inventando isso. – Sua voz é carregada de preocupação e incerteza. Sinto minha mente girar com tantas informações conflitantes, tentando entender o que está acontecendo. Giulia estava realmente mentindo? Ou ela estava manipulando a situação para criar conflitos entre nós? Um suspiro escapa dos meus lábios enquanto recolho os talheres . Giulia pode ser apenas uma criança, mas ela foi criada sob as influências de Maria, uma mulher manipuladora e c***l. Não posso ignorar o fato de que ela pode ter sido envenenada por mentiras sobre mim desde muito cedo. Maria era esperta, ela sabia que corria o risco de algum dia eu descobrir sobre a existência de Giulia e lutar pela sua guarda, por isso ela preparou o terreno envenenado a pequena criança com mentiras ao meu respeito. Não precisava de provas, apenas o olhar que Giulia me dava já era o suficiente. Ela me desprezava, mesmo sendo uma criança. — Ela pode ser minha filha, mas foi criada sob as influências de Maria. Aposto que ela encheu a cabeça da Giulia com mentiras sobre mim. – Meu tom é carregado de pesar e frustração. Bernardo me olha com seriedade, sua expressão refletindo uma compreensão profunda da situação. — Giulia pode ser uma criança, mas ela pode ser muito manipuladora quando quer. Já observei isso desde que a conheci. – Sua voz é calma, mas carrega um peso de preocupação. – Giulia pode ter traços de sua personalidade e se parecer com você fisicamente, mas ela também foi criada com as influências de Maria e nós não podemos fechar os olhos em relação a isso. Suspiro, sentindo-me sobrecarregado com a montanha russa emocional. — Você está certo, Bernardo. Não podemos ignorar o fato de que Giulia foi influenciada por Maria. – Minha voz é cansada, sem ânimo. – Sempre sonhei em ter uma família, em ter meus filhos... Não pensei que seria dessa forma. Bernardo leva sua mão ao meu ombro, tentando transmitir apoio. — Crianças são complicadas, paternidade é uma coisa difícil. – Ele bate em meu ombro. – Mas você não está sozinho, iremos seguir nessa juntos. Me sento na cadeira, sentindo o nervosismo tomar conta de mim. Seguro minha cabeça com as mãos, suspirando pesadamente. — Maria é como um câncer na minha vida, destruindo tudo que toca! Eu sabia que Giulia estaria abalada e talvez um pouco enviesada pelas influências dessa psicopata, mas apenas agora estamos tendo a real noção da dimensão desse problema! – Minha voz é desesperada, minha respiração pesada. – Eu temo que nunca consiga recuperar sua inocência infantil e deixá-la completamente bem ao meu lado, eu sinto que estou falhando com minha filha. — Ei, se acalme! – Bernardo se senta ao meu lado, sua mão acaricia meu cabelo. – Vamos fazer uma coisa de cada vez. Primeiro vamos te introduzir na vida dela, em seu dia a dia. Levá-la a uma psicóloga e fazer terapias juntos, isso ajuda em casos assim. Nossos olhares se encontram e em seus olhos preocupados encontro forças para suportar essa situação. — Eu... Eu irei tentar. – Digo, agora mais calmo. – Ao menos ela parece gostar da Ellen, já é um vínculo a ser trabalhado. Bernardo sorri, me dando tapinhas nas costas. — Boa, assim que se fala! – Ele se levanta e me olha com animação. – Agora venha me ajudar a colocar tudo na lava louças.— Ele fala e eu sorri, sentindo a tensão se dissipar. Me levanto o acompanhando até a cozinha sentindo meu coração cheio de amor e felicidade por está com a minha filha.
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