Capítulo 8

1433 Palavras
Capítulo 20 — Meus pés estão me matando! Nunca deveria ter aceitado usar esse tênis horrível, saltos são mais confortáveis! – Ellen diz entre um gemido dolorido. A advogada suspira apoiando seu braço em mim. O elevador privativo para na minha cobertura. Ajudo Ellen a sair do elevador e entrar na cobertura, sentindo um misto de alívio e preocupação enquanto ela se apoia em mim. Ela me agradece envergonhada e olha ao redor, visivelmente impressionada. — Meu Deus, Donatello, este lugar é ainda maior e mais luxuoso do que eu me lembrava. – Ela murmura, seus olhos percorrendo o ambiente. Antes que eu possa responder, Bernardo aparece na sala com um sorriso, e eu o encaro com os olhos semicerrados, me perguntando mentalmente o que esse i*****l está fazendo aqui. Ele se aproxima e abraça Ellen, fazendo-a sorrir, e diz que é bom vê-la finalmente fora do hospital. — Eu já não aguentava mais vê-la naquele leito. – Ele comenta, sorrindo para Ellen. Eu olho para Bernardo, chocado, e pergunto se eles estavam se vendo antes. Ellen responde, explicando que Bernardo vinha visitá-la no hospital todas as manhãs e a atualizava sobre as novidades do restaurante dele. Fico perplexo, olhando para Bernardo, que sorri envergonhado diante da minha expressão incrédula. A sensação de traição começa a se insinuar em meu peito, misturada com uma pontada de ciúmes. Como Ellen não me contou sobre essas visitas? Será que ela estava escondendo algo? Ou será que eu que não estava prestando atenção? Respiro fundo, tentando manter a compostura, mas a confusão e a desconfiança continuam a martelar em minha mente. Ellen percebe minha tensão e coloca uma mão reconfortante em meu braço, olhando-me com preocupação. — Donatello, está tudo bem? – Ela pergunta, seus olhos negros cheios de preocupação. Eu balanço a cabeça, forçando um sorriso. — Claro, Ellen. Estou apenas um pouco surpreso, é tudo. – Respondo, tentando disfarçar minha preocupação. Mas por dentro, uma tempestade de emoções está rugindo. A presença de Bernardo e as visitas secretas ao hospital despertaram uma série de perguntas e dúvidas que eu não quero alimentar. — Preciso tomar um banho e me livrar do cheiro de hospital. – Ellen sorri envergonhada e me encara durante alguns segundos, seu rosto corando e os olhos inquietos. — Aconteceu alguma coisa? – Pergunto em um tom calmo. — Bem... É que... – Ela gagueja e corta sua frase ao ver os olhares curiosos de Bernardo. — Okay... vou voltar pra cozinha. – Ele levanta os braços em rendição. – A minha triste história de cinderela. Ellen ri envergonhada olhando para o chão. Suas bochechas estavam coradas e seus olhos trêmulos. — Pode dizer, já estamos a sós. – Digo calmamente após longos segundos em silêncio. — Eu ainda estou debilitada por conta da cirurgia e meu corpo dolorido... Eu recebia ajuda das enfermeiras para tomar banho no hospital. – Sua voz falha e ela pigarreia.– Poderia me ajudar com isso? Minha boca se abre surpresa. Não esperaria um pedido desses vindo dela, ainda mais devido a raiva que nutria por mim. — Tudo bem. – Digo ainda surpreso. – Eu te ajudarei. Seus olhos negros me observam brevemente antes dela cortar o contato visual, Ellen encara a parede enquanto suas bochechas coram rapidamente. — Não veja isso como uma oportunidade para se aproveitar de mim. Saiba que estou apenas te pedindo isso por causa do meu estado e... – Eu a interrompo. — Não tenho a mínima intenção de me aproveitar de uma mulher recém operada com dores na lombar e ódio pela humanidade. – Seus olhos me encaram furiosos. – Só estou fazendo isso pelos nossos filhos. — Sei bem suas intenções sujas, Donatello! – Sua voz era furiosa, assim como seus olhos negros. Sorri sarcástico pegando sua mala. Ellen me observava em silêncio, enquanto eu andava calmamente em direção ao corredor que leva aos quartos de hóspedes. A advogada anda em passos largos em minha direção, bem ágil para alguém que acaba de passar um longo tempo no hospital. Eu a encaro por cima do ombro ao parar na porta de seu novo quarto. — Pra onde está levando as minhas coisas? – Seu tom furioso agora tinha um pouco de curiosidade. – Pensei que ficaria no seu quarto. Não pude evitar de dar uma breve risada, seus olhos queimaram de fúria. Destravo a porta a abrindo revelando o grande quarto. — Ellen, esse é o seu novo quarto. – Digo colocando a mala próxima a porta. Ellen observava ao redor em silêncio, perdida em seus pensamentos. Eu teria pela primeira vez calado essa mulher? Acho que não, ela deveria estar apenas procurando uma nova forma de me ofender. — Não pense que com esse quarto decorado longe do seu, você irá me enganar! – Seu dedo aponta para o meu rosto. – Anote na sua cabeça: Nós dois nunca mais teremos nada juntos! Apenas tivemos uma única noite e nada mais. Reviro meus olhos me afastando. Ellen era tão irritante as vezes, era até insuportável de se lidar. — Certo, nada mais. – Apontei para sua barriga sarcasticamente. – Pode me odiar, mas existe uma grande quantidade do meu DNA dentro de você nesse exato momento! Ellen grune furiosa, suas bochechas coram. A advogada anda em direção a grande janela observando a paisagem em silêncio por alguns segundos. — Sei que terei que conviver com você durante esse tempo. Mas depois que meus filhos nascerem, voltarei ao Brasil e os criarei com minha família. – Sua voz é autoritária, mas ainda em um tom calmo. Meu coração acelera com suas palavras e o enjôo toma conta de mim. Mais uma vez serei separado de um filho meu? Ellen não poderia fazer isso comigo! Eu não ia deixar! — Eu não vou deixar meus filhos crescerem longe de mim! Não irei passar por isso novamente! – Minha voz é furiosa. Ellen ri, ainda sem se virar. Ela dá de ombros, como se minha opinião fosse irrelevante. — Donatello, eu cresci em uma família ligada a lei, sei como as coisas podem ser perigosas. Agora, imagine ser filho de um mafioso? – Ellen ri com desgosto. – Ser filha de um delegado já foi difícil pra mim. lidei com situações e ameaças, com mudanças repentinas no meio da noite com minhas tias ficando mais uma vez longe do meu pai. Ellen se vira e me encara sem expressão facial, seus olhos estavam sem brilho, distantes. As lágrimas começam a descer pelas suas bochechas devido ao peso de suas lembranças. — Depois da ameaça que recebi naquela caixa, sei que meus filhos jamais terão paz ao seu lado. – Ela ri triste acariciando sua barriga. – Eu não quero que meus filhos tenham que se mudar por uma ameaça, que tenham que temer se o pai deles estará vivo no dia seguinte. Ellen faz uma pausa, tentando controlar suas lágrimas. Uma montanha-russa emocional se inicia devido suas palavras, estava sem reação, não conseguia falar, apenas ouvia seu desabafo. — Sabe como foi pra mim crescer sendo filha do grande Otto Rodrigues? O grande delegado da polícia federal que buscava traficantes pelo país e assumiu a presidência Interpol? – Ellen ri com desgosto. – Homens da máfia nos ameaçavam noite e dia! Se até pra uma pessoa do lado certo da lei foi assim, imagine pra alguém como você? Como acha que será a vida dos meus filhos? Meus olhos se arregalam e Ellen e encara confusa com minha reação. Não... Não podia ser. Devo ter ouvido errado, Ellen não poderia ser filha do desgraçado que assassinou o meu pai. Isso não podia ser real. — Donatello? – Ela me olha com preocupação, agora mais próxima. – Você... Você está bem? Você está pálido. Minhas pernas bambeiam, recuo um passo me apoiando na poltrona. n**o com a cabeça enquanto as lágrimas rolam pelo o meu rosto. — Ellen, me diga por favor... – Minha voz sai em um sussurro trêmulo. – Me diga que estou errado. — Donatello, você está me assustando. Do que você está falando? – Ela tenta se aproximar, mas para ao me ver recuar um passo. De repente, as peças começam a fazer sentido. Minha desconfiança, sua semelhança com o homem, seu jeito... Todas as peças começam a se encaixar, como um grande quebra cabeça. Já não conseguia vê-la como a mulher que eu amava, a mãe dos meus filhos; Agora apenas via a filha do homem que destruiu a minha vida, a filha do delegado que matou meu pai e acabou com a minha família.
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