Estou deitado ao lado de Ellen, acariciando sua barriga em silêncio. A quietude do quarto do hospital é quebrada quando ela quebra o silêncio.
— Você está bem, Donatello? Nos últimos dois dias você esteve tão quieto, parece triste. – Ela indaga, sua voz carregada de preocupação.
Olho para ela e deposito um beijo suave em sua testa, tentando tranquilizá-la.
— Não há com o que se preocupar, querida. Estou bem. – Respondo, tentando manter minha expressão neutra.
Ellen me encara com um olhar preocupado, sua testa franzida em dúvida.
— Você não está dormindo direito, está com uma aparência cansada. – Ela observa, sua voz suave, mas firme. – Fale de uma vez, Donatello, ou eu vou levantar dessa cama e você vai se arrepender.
Rio da valentia dela, admirando como, mesmo em um leito de hospital, ela consegue ser tão linda e desafiadora.
Antes que eu possa responder, sinto meu celular vibrar no bolso. Olho para a tela e vejo que é Carmen ligando.
Ellen me olha com uma expressão indecifrável, observando atentamente meus movimentos.
— Quem é? – Ela pergunta, sua voz gelada de desconfiança.
Bloqueio o celular e o coloco no bolso. Os olhares acusatórios de Ellen me causaram uma leve tensão.
Carmen não me ligou desde que Enzo usurpou meu lugar. Uma lanterna vermelha se acendeu em minha mente. Algo r**m deveria estar acontecendo.
— Não é nada, Ellen. – Respondo, minha voz soando mais tensa do que eu gostaria.
O celular volta a tocar, e antes que eu possa impedi-la, Ellen enfia a mão no meu bolso, pegando o aparelho. Tento recuperá-lo, mas ela é mais rápida ao levá-lo para fora do meu alcance. Ellen me olha com desconfiança e examina a tela com uma expressão séria.
Ellen lê o nome do contato na tela, sua expressão se transformando em uma mistura de raiva e decepção.
É isso que você estava escondendo de mim? A diversão com uma qualquer? – Ela acusa, sua voz em um tom amargo.
Fico chocado com sua reação e n**o com a cabeça, tentando explicar.
— Ellen, você está vendo coisas onde não há nada. – Insisto, tentando recuperar o celular.
Ela aperta o aparelho contra o peito, afastando-se de mim com um olhar de desgosto.
— Você não vale nada. – Ela murmura, sua voz embargada pela mágoa.
Percebo que ela está com ciúmes, e isso me faz sorrir.
O celular para de tocar, apenas para começar novamente em seguida.
— Deve ser outra mulher que você está saindo. – Ellen diz com desgosto, devolvendo-me o celular. – Ela parece desesperada, ligou três vezes.
— Ellen, você está ficando paranóica! – Dou uma risada nervosa. – Eu não fiz nada!
Ellen me olha da cabeça aos pés, com nojo.
— Então essas olheiras e cansaço são por causa de suas noitadas e aventuras sexuais com essa Carmen? – Sua voz é áspera, cheia de desgosto.
Rio, negando com a cabeça.
— Você está adorável com ciúmes. – Provoco, vendo suas bochechas corarem.
— Não estou com ciúmes. Só espero que você não tenha engravidado essa mulher. – Ela retruca, sua voz carregada de raiva.
Repito provocativamente:
— Meretriz? É assim que a denominou agora?
Ellen grunhe furiosa, sua expressão enrubescida de indignação.
Atendo a ligação deixando no viva voz, a voz de Carmen ecoa pelo quarto e Ellen me lança um olhar furioso.
— Boa tarde Carmen, poderia esclarecer para minha mulher quem é você? A senhora Rodrigues é extremamente ciumenta e está achando que tenho um caso. – Falo em um tom brincalhão apesar de estar olhando provocativo para Ellen.
— Não sou sua mulher, i*****l! Saia daqui! – Ellen diz furiosa com seu rosto vermelho como um tomate.
Peço desculpa, não quis causar qualquer transtorno. – Carmen gagueja envergonhada. – Senhora, sou apenas a secretária do senhor Miller. Liguei devido a uma emergência.
Ellen suaviza sua expressão e me encara confusa, estava tão confuso quanto ela. Emergência?
— Emergência? Que tipo de emergência? – Ellen pergunta em um tom preocupado.
— Senhora, chegou uma encomenda endereçada ao senhor Donatello Miller, mas o senhor Enzo a abril e... – Carmen gagueja depois fica em silêncio.
Escuto seu suspiro no fundo da ligação, Ellen e eu trocamos olhares nervosos.
— Não sei se a senhora deve ouvir isso. – Carmen diz em um tom nervoso.
Ellen eleva uma sobrancelha me olhando com desconfiança antes de encarar a tela do aparelho.
— Diga de uma vez! – Ellen fala impaciente olhando o aparelho com dureza.
Carmen solta um longo suspiro e o meu coração se aperta com a ansiedade.
— Se acalme Ellen, pelos nossos bebês. – Digo, tomando uma respiração profunda. – Carmen, pode continuar. O que aconteceu com a encomenda?
Carmen suspira, parecendo hesitante antes de continuar.
— Eu estava na sala do Enzo quando ele abriu a encomenda. Eram duas caixas, ambas sem remetente, endereçadas a Donatello Miller. Sugeri a Enzo que as enviasse a você, mas ele disse que uma das caixas tinha um cheiro estranho e decidiu verificar o conteúdo.
Ellen e eu trocamos olhares preocupados. O que poderia estar dentro dessas caixas?
— O que ele encontrou? – Pergunto, minha voz tensa.
Carmen respira fundo antes de continuar, sua voz soando trêmula.
— Uma das caixas estava cheia de fotos suas, senhora Rodrigues. Fotos suas andando na rua, em sua casa, algumas até mesmo dentro deste hospital. Estavam todas sujas de sangue, acompanhadas de uma faca também suja de sangue.
Um arrepio percorre minha espinha ao ouvir suas palavras, enquanto Ellen fica pálida e seus olhos se arregalam em choque.
— E a outra caixa? – Pergunto, minha voz firme apesar da preocupação que sinto.
Carmen engole em seco antes de prosseguir.
Na outra caixa, havia a cabeça decapitada de um doberman em decomposição. Junto dela, havia uma foto sua abraçada com o cão, com os olhos recortados da imagem. E atrás da foto, estava escrito com sangue: "Ela é a próxima".
Um frio percorre minha espinha, e sinto a fúria pulsar dentro de mim. Mas, lutando para manter a compostura, pergunto friamente:
— Quem fez isso? Sabe quem as entregou? – Perguntei tentando manter a calma.
Ellen está visivelmente abalada, seus olhos cheios de horror e incredulidade. A imagem da cabeça do cão e as ameaças são chocantes demais para processar.
— Não sabemos... Foi um entregador de uma companhia terceirizada.... eu sinto muito por isso. – Ela murmura, sua voz trêmula.
O silêncio predomina o quarto durante longos minutos. Estava tentando manter a calma, não poderia surtar na frente da Ellen, não com ela nesse estado. Suspiro agradecendo a Carmen pela informação e desligo a chamada.
Ellen estava imóvel, seus olhos fixos na parede. Meu primeiro instinto foi abraça-la, apesar de saber que ela me afastaria. Surpreendentemente ela apenas retribuiu o abraço, seus soluços ecoaram o quarto enquanto suas lágrimas molhavam minha camisa.
— Quem... Quem seria capaz de matar o Luck? Ele era um cachorro tão bondoso, o melhor cão que já tive! – Ellen pergunta entre soluços.
Não precisava ser vidente para saber exatamente quem havia feito isso. Estava óbvio que Maria havia feito isso, ela estava jogando, tentando me intimidar e todos ao meu redor. Hector estava certo, estava sendo observado. Beijo a cabeça de Ellen sentindo a raiva crescer dentro de mim.
Maria havia cruzado um limite imperdível, ela havia mexido com a mulher que eu amava e isso não passaria impune.
Respiro fundo, tentando acalmar minha mente turbulenta. Esta situação só podia significar uma coisa: tinha que ser rápido e acabar com essa vagabunda antes que ela fizesse m*l aos meus filhos. Estávamos em guerra e não teria paz até achá-la.