Ao chegar à boate de Hector, os seguranças reconhecem meu carro e me deixam passar sem questionar. Caminho pelos corredores movimentados da boate, observando as pessoas dançando, rindo e conversando animadamente. No entanto, meu coração está pesado com a preocupação com Ellen e a falta de resposta da detetive Lins. Hector era a única pessoa que poderia me ajudar nesse momento.
À medida que me aproximo da porta oculta que leva à escada que leva à sala de Hector, meu corpo fica tenso devido aos pensamentos ansiosos.
Os degraus da escada rangem sob meus pés enquanto subo, cada som ecoando no vazio do corredor deserto. Meus ouvidos estão atentos a qualquer sinal de perigo, mas tudo que ouço são as batidas distantes da música da boate e os murmúrios abafados das conversas lá embaixo.
Vozes nervosas ecoam pelo corredor interrompendo meus pensamentos. Meu corpo fica tenso, minha respiração fica superficial enquanto me esforço para ouvir cada palavra. Algo em mim apita, como um alerta para o perigo. Subo lentamente mais um degrau, ficando perto o suficiente para identificar uma das vozes, meu corpo se arrepia ao perceber de quem se tratava.
— Vamos logo, i*****l! – Maria diz irritada. – Não fique me olhando procurar sozinha, faça alguma coisa!
— Estou vigiando a porta, não está vendo? – Uma voz masculina desconhecida responde sarcástica. – Peça a alguns desses seus capangas inúteis para te ajudar, não sou seu empregado, só estou aqui pra evitar que você seja morta!
— Me ajudem logo! – Maria grita furiosa.
Me encolhi no degrau ao perceber que ela não estava sozinha. Merda, essa v***a havia invadido a boate! Me perguntava mentalmente como ela havia feito isso, os seguranças de Hector eram tão bem treinados, como eles deixariam isso escapar? Onde estaria Hector?
— Hector deve saber alguma coisa sobre onde Donatello está e onde Ellen se escondeu. – Maria fala com impaciência, sua voz perfurando minha mente com a urgência de suas palavras.
Ellen. O nome dela ecoa em minha mente, trazendo consigo uma onda de preocupação e inquietação. Eu não posso deixar Maria colocar as mãos nela, não posso deixar que ela se machuque por minha causa.
Então, o estalo da língua de Maria e suas palavras ásperas cortam o ar, lançando uma sombra sobre mim e alimentando minha fúria e revolta.
— Quando eu achar essa advogada irei acabar com ela. – Sua risada diabólica arrepia meu corpo. – Os pirralhos dela virarão comida para os meus cães!
Desgraçada! Eu poderia agora mesmo acabar com ela, estrangular seu pescoço nojento enquanto olhava seus olhos assustados perderem a vida.
Não poderia ser i****a, tinha que agir com calma ou isso iria acabar com minha vida. Não sabia quantos capangas estavam com ela ou que diabos essa v***a havia feito com Hector, apenas sabia que eu estava em desvantagem.
Passo a mão na minha cintura procurando minha arma, a raiva toma conta de mim ao constatar que a esqueci no quarto.
— Seja rápido, logo o efeito do gás passará! Não queremos que Hector e seus homens nos encontrem vasculhando as coisas deles, não quero virar alvo da Yakuza! – A voz masculina desconhecida fala com irritação.
Derrepente, meu celular começa a tocar. Pego rapidamente o aparelho vendo o nome de Ellen na tela. Meu coração batia descompassado enquanto tentava desesperadamente silenciar meu celular. O som estridente ecoou pelo corredor vazio, denunciando minha presença.
— Merda, tem alguém aqui! – O homem fala furioso. – Vocês não tinham verificado tudo? Bando de incompetentes!
— Deve ser só o celular de um dos seguranças no armário. – Maria diz com desdém. – Não seja paranóico!
Vejo os pés do homem no corredor, ele parecia olhar ao redor.
O aparelho escorregou da minha mão, caindo na escada com um baque alto. O homem se moveu em minha direção, descendo a escada. Nossos olhares se encontram, ele usava roupas completamente negras, sua máscara de esqui estava cobrindo o rosto, exceto pelos olhos negros que me encaravam com intensidade.
— Ora ora, temos um rato na escada. –ele disse, apontando sua arma para mim. – Irá se render ou terei que atirar nesse belo rostinho de modelo?
Levantei as mãos em rendição, sabendo que estava em desvantagem.
— Bom menino, agora suba essa merda antes que eu perca a paciência e faça seu corpo ter mais buracos que uma paneira! – O prazer em sua voz rouca me deixava enojado.
Em silêncio, subo lentamente, ultrapassando seu corpo na escada. Sua MP5 encosta na minha coluna.
— Qualquer gracinha e eu deixarei você aleijado. Careca desse jeito, parecerá um cosplay bombado do doutor Xavier! – Ele ri sarcástico, ao meu ouvido sua mão aperta minha nádega. – Um desperdício, você é uma gracinha.
Sinto sua respiração na minha orelha, meu coração acelera devido a fúria. Como queria quebrar seus dentes! O homem morde o lóbulo da minha orelha, passando sua língua em meu pescoço. Desgraçado tarado, eu o mataria quando tivesse chance!
Ao chegar ao topo da escada, deparei-me com Maria saindo do escritório de Hector. Seu rosto fica pálido e seus olhos se arregalaram ao me ver.
Maria estava completamente diferente, como se fosse uma outra mulher . Seu cabelo agora era curto e loiro, alisado em um Chanel elegante. Ela usava lentes de contato negras, escondendo a verdadeira cor de seus olhos, e sua pele antes branca, estava mais bronzeada, como se tivesse passado horas sob o sol artificial de algum lugar exótico. Ela estava diferente, suas características européias haviam sido substituídas por uma aparecia latina. Agora entendia o motivo da dificuldade de acharem essa desgraçada. Até mesmo seus s***s e lábios estavam maiores, nariz e cintura mais finas. Ninguém que a procurasse imaginaria encontrá-la assim.
A observei em silêncio, meu olhar carregado de ódio e desejo de vingança.
— Encontrei esse intruso na escada. – O homem anuncia me empurrando em direção a Maria. – Pela sua cara, acho que conhece ele.
— Do.... Do... Donatello. – Ela gagueja em um sussurro fraco, como se estivesse vendo um fantasma.
O homem misterioso parece ficar tenso ao ouvir meu nome. Ele se posiciona ao lado de Maria, apontando a arma para o meu rosto.
— Maria. – Minha voz soa calma, apesar de todo o ódio em meu corpo.
Minha calmaria parece incomodá-la, seus olhos ficam marejados, suas mãos inquietas.
— Esse é o Donatello Bianchi? O homem mais poderoso da Europa? – A voz desesperada do homem me causa pequenas pontadas prazerosas.