NARRAÇÃO: GOLIAS O silêncio que se instalou naquele quarto depois que eu pulei pra dentro era tão denso, tão pesado, que dava pra ouvir o coração da Sara batendo desesperado, parecendo um bicho acuado na gaiola de ouro. Eu tava ali, parado na frente dela, a minha carcaça de guerra bloqueando a única saída, sentindo o cheiro do medo dela se misturar com aquele perfume de elite que agora tava azedando no calor da noite da favela. A Sara olhou pro saquinho vazio no chão, aquele rastro da própria fraqueza que eu joguei nos pés dela, e depois cravou os olhos nos meus. O pavor nos olhos azuis dela, por um segundo, deu lugar a uma fúria cega, uma arrogância que nem o chicote da realidade bruta conseguia domar. Ela estufou o peito, o queixo tremeu igual vara verde, e a máscara de "doutora de med

