NARRAÇÃO: SARA O teto branco do posto de saúde da Muralha parecia desabar sobre mim. Cada batida do monitor cardíaco era como uma martelada dentro do meu crânio, um lembrete rítmico e c***l de que o meu coração ainda insistia em bater, enquanto o dele tinha parado para sempre. Eu sentia o gosto amargo do sedativo na ponta da língua, uma dormência metálica que não era suficiente para apagar o incêndio que devastava o meu peito. Eu fechei os olhos com força, e lá estava a imagem de novo. O corpo pequeno do meu pai no chão do quarto, a rigidez do mármore gélido que ele se tornara, o silêncio daquela casa que um dia foi cheia de cuidado. A culpa subia pela minha garganta como ácido, me sufocando. As palavras da Tia Zuleide chicoteavam a minha mente, mais dolorosas que qualquer ferimento fís

