NARRAÇÃO: MARCOS Eu bati a porta do meu consultório com uma força que fez o estetoscópio pular na mesa. O som metálico ecoou nas quatro paredes brancas, as mesmas paredes que agora pareciam estar se fechando em cima de mim. Sentei na cadeira de couro sintético, sentindo o suor frio escorrer pelas minhas têmporas, misturando-se com a poeira daquela ruela maldita onde o Tubarão me esculachou. Minhas mãos não paravam de tremer. Eu as olhei com nojo. Eram mãos de cirurgião, mãos que já costuraram bandido baleado na calada da noite e salvaram gente que o asfalto já tinha dado como morta. Mas ali, na frente daquele sádico, elas eram mãos de um covarde. — Abutres... — sibilei, a voz saindo como um rosnado preso na garganta. — Eles acham que o morro é um tabuleiro e a Sara é a peça principal. E

