O Arquiteto das Sombras: A Mentira de Sangue e Jaleco NARRAÇÃO: MARCOS O som da XRE do Golias estancou lá fora, um rosnado metálico que foi morrendo até deixar um vácuo de silêncio no corredor do posto, um silêncio mais pesado e sufocante que um lençol de chumbo. Eu sentia o meu coração batendo na garganta, uma taquicardia de ódio e adrenalina que fazia minha visão latejar nas bordas. Olhei para a Sara estirada naquela maca encardida, sob a luz fluorescente que piscava com um zumbido irritante. Ela parecia uma boneca de cera quebrada, descartada em um lixão; o rosto cinza-azulado, os lábios arroxeados pela hipóxia e aquela espuma seca no canto da boca que me dava vontade de chorar de impotência e matar o mundo ao mesmo tempo. — BRUNO! TRAZ O CARRINHO DE EMERGÊNCIA AGORA! — gritei, a voz

