NARRAÇÃO: MARCOS Afastei a seringa vazia do acesso dela, vendo a Sara apagar de novo, a respiração voltando a ser ditada pela máquina. O terror que brilhou naqueles olhos antes da sedação bater foi o combustível que eu precisava. Saí do box de emergência com o coração parecendo um motor de XRE cortando giro. Limpei o suor da testa com a manga do jaleco e caminhei pelo corredor gelado, ignorando os olhares curiosos de uma enfermeira que passava. Entrei na minha sala e bati a porta, mas nem me dei ao trabalho de girar a chave. A confiança cega que o morro tem no "Doutor Esperança" era o meu escudo, e eu precisava manter a pose de quem não tem nada a esconder. O silêncio ali dentro era denso, sufocante. Eu precisava de ar, precisava de um plano que não tivesse margem pra erro. Fiquei de cos

