NARRAÇÃO: SARA Fechei a porta do quarto com um estrondo e o mundo pareceu desabar sobre os meus ombros. O silêncio lá dentro era sufocante, mas lá fora, a Muralha rugia. Eu conseguia ouvir os gritos descontrolados do Tubarão na sala, o som seco e metálico da coronha do fuzil batendo contra o piso de cimento, mas meus olhos só conseguiam focar no vermelho. O sangue do Gabriel estava impregnado na minha pele, nos meus braços, subindo pelos meus pulsos até os cotovelos. Era quente, viscoso, com aquele cheiro metálico e pesado que parecia invadir meus pulmões e se alojar na minha alma. “O Marcos... o Marcos esfaqueou o Golias?” — a frase rodava na minha cabeça como um disco riscado, um curto-circuito de horror. Eu tive a chance de dizer não. Eu tinha todos os motivos do mundo para dar as cos

