Cayo O dia chega como um soco no estômago que você sabe que vai doer, mas não sabe quando. Acordo antes do despertador, tipo cinco da manhã, olhando pro teto do quarto. A Analu tá do meu lado, respirando devagar, mas eu sei que ela também não dormiu direito essa noite. Ontem à noite a gente ficou acordado até tarde, depois daquela ligação da Gabi. Decidimos não deixar o Zyon falar com ela. Não por maldade. Por medo. Medo de que qualquer palavra, qualquer choro, vire prova contra a gente no último segundo. Analu desligou o telefone tremendo e chorou no meu peito até dormir. Eu fiquei olhando pro escuro, pensando: “Amanhã acaba. Ou começa de verdade”. Levanto devagar, faço café forte, daqueles que queima a língua. O Zyon acorda logo depois, esfregando os olhos, uns fios de cabelo em

