Analu Dias depois da sentença, a casa parece respirar de novo. O ar tá mais leve, como se alguém tivesse aberto todas as janelas depois de uma tempestade longa. O Zyon desenha o dia inteiro na mesa da cozinha, lápis de cor espalhados, língua pra fora de concentração. Ele faz a “nossa família”: três bonecos grandes sorridentes — o papai de barba, eu de cabelo comprido, ele no meio com um sorriso enorme. Mas dessa vez tem um quarto bonequinho. Uma menininha pequena, de vestido rosa, cabelo preso em marias-chiquinhas. Eu vejo e pergunto, coração acelerado: — Quem é essa, amor? Ele levanta o desenho, orgulhoso. — É a minha irmãzinha. A que vai vir. Eu pedi pro papai Noel no Natal passado, mas acho que ele tá demorando. Eu rio, mas é um riso nervoso, daqueles que saem misturados com emoç

