Em casa, com ela adormecida, suja de vômito e no meu sofá, me vi completamente desorientado, pois não podia simplesmente deixar ela dormindo suja daquele jeito e também não podia tocar em seu corpo sem permissão, afinal eu precisava tirar a sua roupa pra lhe dar banho, mas não faria isso com ela desacordada.
Uma única solução surgiu em minha mente: Minha vizinha da frente!
Ela era a dona do apartamento de cima que a banheira caiu, e no momento, era a pessoa mais acessível naquele momento, pois eu não queria acordar a esposa do meu melhor amigo para me ajudar com esse pequeno problema.
Sai de casa o mais rápido que eu podia e corri em direção a casa dela. As luzes ainda estavam acesas e eu esperava do fundo do meu coração que o marido dela não entendesse errado.
Bati três vez e a porta se abriu em segundos.
Lá estava ela com roupa de dormir e rosto amassado, como se tivesse adormecido no sofá em frente à televisão.
— Ares, o que faz aqui tão tarde? — Indagou ela e eu pude ver o marido dela no fundo. — E por que está cheirando a vômito?
— Desculpa o incomodo... — Tirei a minha blusa de frio, ficando apenas com a camiseta que usava por baixo. — É que uma amiga minha bebeu mais do que devia, vomitou na sua roupa e agora está dormindo... — Corei. — Não posso simplesmente tirar a roupa dela pra lhe dar banho, por isso vim pedir a sua ajuda. A senhora é mulher, tem uma filha... Então não tem problema, não é mesmo? — Ela me olhava com um sorriso no rosto.
— Que belo cavalheiro você é! — Exclamou subindo as sobrancelhas rapidamente. — Claro que eu ajudo você com essa amiga sua.
•••
A senhora White deu banho na Venera e as vestiu com uma muda de roupa que havia separado, além de ter me ajudado a cuidar dos joelhos dela. Não tinha machucado muito, apenas ralado para a minha tranquilidade.
Agradeci muito ela por ter saído da sua casa, ter cuidado de uma completa estranha a pedido de um vizinho antigo, mesmo ela dizendo que vizinhos cuidavam um do outro e ela estava me devendo pelo o acontecimento no apartamento
Venera dormia no meu quarto, na minha cama, já que o quarto que deveria ser de hóspedes estava cheio de caixas e papéis.
Não podia simplesmente me deitar ao seu lado, então deixei a porta semiaberta e fui rumo a sala de estar, aconchegando-me no sofá.
Olhando fixamente para o teto percebi que Venera era a primeira mulher que dormia na minha cama, pois os meus casos de uma noite sempre ocorriam em hotéis ou motéis.
— Há... — Gargalhei baixo. — Que ironia! — Fechei os olhos soltando um suspiro.
•••
Meus olhos se abriram antes mesmo do meu despertador soar, ou seja, era antes de cinco horas da manhã. Fiquei alguns segundos encarando o teto e quando resolvi me sentar, boa parte do meu corpo estralou dolorido.
Joguei a coberta para o lado e me levantei, e com cuidado subi as escadas abrindo um pouco mais a porta do meu quarto, encontrando a Venera dormindo profundamente abraçada em meu travesseiro. E com mais atenção, vi seu peito subindo e descendo.
Assenti pra mim mesmo, aliviado por ela estar viva e respirando, e deixei a porta do mesmo jeito que estava, antes de descer as escadas pensando no que poderia fazer de café da manhã pra ela.
Ainda era meio de semana e eu tinha que trabalhar, da mesma maneira que ela, porém eu simplesmente não podia largar ela sozinha depois de ter vomitado na rua e em si mesmo após beber mais do que devia.
Não iria correr naquela manhã, pois em minha mente não seria algo correto de se fazer, deixando-a sozinha em um lugar que m*l conhece, mesmo sendo a minha casa.
Desde o fim do meu colegial moro sozinho, por isso desenvolvi e aprimorei minhas habilidades culinárias mesmo me privando de comer muitas coisas pra manter meu corpo em forma.
Deixei o mix bater e triturar o meu shake enquanto me dedicava a fazer um café da manhã leve e gostoso pra Verena mesmo não tendo a menor ideia do que ela normalmente come quando acorda.
Não demorou muito para que tudo estivesse pronto e o cômodo estivesse preenchido pelo o aroma delicioso, para que eu escutasse passos hesitantes na escada.
Apenas seu rosto apareceu na entrada da escada, umedeci os lábios e apoiei meus braços na ilha da cozinha.
Verena olhou pra onde estava a sala e quando finalmente olhou para onde eu estava, seus olhos se arregalaram e o rosto corou.
— Bom dia! — Exclamei com um largo sorriso. — Se sente melhor?
— Ahn... — Saiu de onde estava escondida e eu tive que me concentrar para não observar seu corpo usando uma roupa minha. — S-Sim... — Sentou-se na cadeira.
Pude ver em suas feições que milhares de perguntas se passavam em sua mente a respeito de como eu soube onde eles estavam, o que aconteceu até o caminho dali e o principal, o que ela falou graças a bebidas.
— Tem uma lei entre as pessoas que bebem, e ela é: Nunca pergunte o que aconteceu. — Empurrei o prato com o café da manhã em sua direção. — E também não houve nada demais no que você disse ou fez. — Lhe entreguei o copo com suco de laranja.
— Obrigada... — Murmurou olhando na bancada atentamente. — E você?
— Ah. — Peguei o copo com shake e a mostrei. — Meu café da manhã! — Ela olhou para a comida em seu prato e pro meu shake com uma sobrancelha arqueada.
— Não vejo sentindo se vou tomar café da manhã e você apenas um shake verde como se fosse musgo... — Fez uma careta empurrando o prato pra longe dela.
— Mas... — Fiquei totalmente sem ação por sua atitude e foi inevitável não soltar uma gargalhada e me virar para os armários.
Peguei um prato e coloquei o que eu fiz para caso ela quisesse mais.
— Melhorou? — Dei a volta e me sentei ao seu lado enquanto empurrava o seu prato novamente pra ela.
— Agora sim! — Murmurou e eu sorri balançando a cabeça negativamente.
Tomamos o nosso café da manhã em um silêncio mais confortável do que eu imaginava, até que ela o quebrou.
— Foi você que me deu banho e trocou minhas roupas? — Indagou e eu neguei concentrado em minha comida, mesmo que sentisse seus olhos em mim.
— Chamei minha vizinha e ela cuidou de você pra mim. — Era o correto responder aquela pergunta. — Não podia te tocar sem sua permissão! — Encarei-a e de soslaio vi um breve sorriso surgir em seus lábios.
— Desculpa por toda a confusão... E, obrigado por ter cuidado de mim tão bem. — Me encarou com um sorriso de canto nos lábios. — Foi muito gentil da sua parte, estou em dívida com você!
— Foi o mínimo que pude fazer. — Sorri constrangido. — Posso te fazer uma pergunta? — Ela concordou. — Eu sei que falei pra não perguntar nada e que você não disse nada. Você falou algo quando estava bêbada e que me deixou acordado boa parte da noite. O que Daniel já fez com você? — Seus olhos se arregalaram brevemente.
— Bem, ele é uma pessoa bem desagradável... — Passou o dedo no mármore olhando pra qualquer coisa que não fosse eu.
— Ele gosta de você. — Murmurei e ela suspirou pesarosa.
— É, ele gosta de mim... — Realizou uma breve careta.
— Venera, ele já tentou fazer algo com você? — O silêncio que se seguiu fez com que meu corpo todo se arrepiasse.
Umedeci os lábios olhando para o lado tentando manter a minha raiva controlada, pois queria acabar agora com a vida dele mais do que os outros momentos.
— Queria demitir ele, mas minha mãe não permitiu pois ele é de família importante para a Kimoy. — Suspirou novamente e eu travei o maxilar. — De início era desconfortável, mas acabei me acostumado com a presença dele.
"Vou acabar com ele!", pensei imaginando as mais diversas maneiras de o fazer implorar pela a sua vida.
— Não faça nada! — Olhei para ela incrédulo por sua fala e por ter sabido o que iria fazer. — Estava na sua cara que quer fazer a vida dele um inferno. — Riu baixo.
— Mas eu vou. — Pontuei. — Aqui não há chefe e subordinado, então a não seja que me ordene isso na empresa, não seguirei sua ordem. — Seus olhos me analisaram atentamente.
— Faça o que quiser então! — Deu de ombros terminando de tomar seu suco.
— Sério? — Indaguei surpreso e ela riu concordando.
— Sim, se for matar ele me avisa pra já pra ter o dinheiro da finança. — Pisquei ainda mais surpreso com ela e a sua tranquilidade.
Em segundos a surpresa se tornou diversão, comecei a rir enquanto ela apenas me observava com um sorriso fechado nos lábios.
Ri tanto que a minha barriga começou a doer e lágrimas brotaram em meus olhos. Inspirei fundo várias vezes, recuperando-me da crise de riso e o silêncio que se seguiu foi confortável, ambos comendo em silêncio aproveitando a companhia um do outro.
Não comi muito, mas fiquei satisfeito quando vi que ela tinha comido tudo sem querer colocar os órgãos para fora.
— Sente algum desconforto? — Questionei pegando cuidadosamente os seus pratos, indo rumo a pia para os lavar. — Dor de cabeça ou no estômago?
— Está preocupado comigo sr. Galanis? — Debochou e eu gostei mais do que devia de ver ela mostrando mais de sua personalidade em minha presença.
— Sim! — Concordei sentindo minhas orelhas ficarem quentes da mesma maneira que o meu rosto.
Nunca fiquei grato por estar de costas para uma pessoa como nesse momento.
— Com bastante dor de cabeça... — Murmurou e eu pude sentir a sua vergonha pela a voz em admitir aquilo em voz alta.
— Tem alergia a dipirona? — Coloquei os pratos na pia e me virei na direção da mulher que sempre conseguia roubar meus suspiros sem muito esforço.
Ela não prestava atenção em mim, mas sim olhando fixamente no movimento da rua pela a janela, já que as cortinas estavam abertas.
Encostei na pia e cruzei os braços, admirando aquela mulher esbelta que nem sabia que meu coração estava em suas mãos desde o momento que eu coloquei meus olhos nela.
Admirei o perfil do seu rosto, seus lábios volumosos, o perfil esbelto do nariz fino e pequeno, queixo avantajado. Os cabelos estavam presos em um coque um pouco solto, mostrando a maravilhosa pele do seu pescoço que tanto sonho morder e deixar a minha marca.
Verena se virou em minha direção e eu tive que pigarrear baixo e olhar para o lado mesmo sabendo que ela tinha visto e sentindo que eu a encarava sem disfarçar.
— Você sempre me olha com tanta atenção... — Ela disse e eu umedeci os lábios pensando em uma resposta se ela perguntasse o porquê.
— Talvez... — Murmurei. — Quer tomar um banho? Te empresto uma muda de roupa minha e te deixo em casa. — Mudei de assunto descaradamente.
Ficamos nos olhando por um bom tempo até que finalmente a sua cabeça se moveu em concordância enquanto os cantos dos lábios se erguiam em um projeto de um sorriso.
Não teve risada, nem palavras, apenas aquele instante em que o olhar dela suavizou e o tempo pareceu se esticar, só pra me deixar gravar aquilo na memória.
Era um sorriso pequeno, quase hesitante, mas nele havia algo que me desarmou completamente: uma mistura de doçura e força, perfeitamente misturados um ao outro.
Quando ela desviou o olhar, percebi que ainda estava olhando demais, e talvez sorrindo também, mas era inevitável porque, naquele instante breve, o sorriso dela foi o suficiente pra me fazer esquecer de tudo o resto.
•••
— Aquele projeto em cima da sua mesa... — Verena começou a falar assim que coloquei o carro em movimento rumo a sua casa seguindo o GPS. — Foi você que criou? Do novo produto que vamos lançar mês que vem?
— Ahn... — Olhei para ela rapidamente. — Sim, mas não achei que ficou tão bom então estou tentando aprimorar!
— Eu achei que ficou muito bom. Você tem talento, Ares. — Exclamou e eu só consegui sorrir abobado com o silêncio se estendendo enquanto eu dirigia rumo a sua casa.
Não demorou muito para que eu estacionasse o carro em frente ao prédio de luxo em que a Verena morava, e eu amaldiçoei o trânsito tranquilo, pois tornou o nosso momento juntos em silencio curto demais para meu gosto.
Meu coração batia dolorosamente enquanto via ela descer do carro e se apoiar no vidro. Não queria que ela partisse, não quando sabia que nos dois não teríamos momentos como aquele tão cedo.
— Posso perguntar uma coisa? — Indaguei antes que ela falasse algo.
Sua cabeça se moveu em concordância e eu umedeci os lábios antes de fazer a minha pergunta.
— Por que aceitou ir almoçar conosco e foi beber com os demais anoite?
Seus olhos violetas me olharam atentamente, e eu pude ver que eles escureceram brevemente, mas ela não falou nada, apenas deu um sorriso de lado e deu as costas pra mim.
— Senhorita... — Chamei. — Presidente. — Me inclinei na janela. — VENERA!
Ela se virou sorrindo antes de entrar em seu prédio acenando.
— Mas que drog4... — Estralei a língua voltando o corpo pro banco antes de ligar o carro e o colocar em movimento de volta pra casa.
Voltei para a minha casa mais confuso do que tudo.
Eu podia ter muito contato com mulheres, entender o que elas queriam ou não, mas com a Venera... Porr4, com a Venera eu não fazia a mínima ideia do que ela queria ou não, do que ela insinuava ou não.
Não podia simplesmente agir de acordo com o que eu achava que era o que ela queria dizer ou insinuar com suas frases, olhares ou sorrisos, e isso me deixava alucinado, sem saber como agir e extremamente confuso.
•••
Depois do horário de almoço fui trabalhar, afinal, tinha uma apresentação importante amanhã para mostrar o novo produto e por causa disso, precisava de slides bem elaborados. E como eu sou editor chefe, tenho que deixar tudo perfeito antes de enviar para a Verena.
Estava um tanto m*l-humorado quando me sentei na minha cadeira, ignorando o olhar malicioso de Daren em minha direção.
— Como foi ontem à noite? Os meninos me contaram que te ligaram para ir buscar a Srt. Kim. — Daren disse.
— É, eu consegui fazê-la falar onde mora e a deixei em seu apartamento. — Menti, mas contaria para ele depois a verdade, pois não precisa dos demais enchendo meu s4co.
— E onde ela mora? — Daniel perguntou fazendo com que eu olhasse para ele no mesmo instante com o cenho franzido.
— Acredito que isso não vem ao seu caso, Daniel, pois até hoje eu não recebi os seus rascunhos dos slides que será usado amanhã. — Exclamei sem tentar aparecer amigável. — Isso foi nós passado a um mês, e enquanto os outros entregaram a três semanas, o seu continua pendente.
O silêncio reinou na sala por completo enquanto eu o encarava e imaginava batendo nele até meus braços cansarem.
— Quero ele no meu e-mail antes do fim do expediente, e eu o quero bem feito! — Conclui voltando minha atenção para o computador. — Sem mais nem menos.
Pude ouvir ele resmungando baixo, porém nem tentei descobri o que era, afinal, se eu descobrisse, acabaria preso e ele, provavelmente, em uma sala de autópsia.
— Vamos ali na copa pegar um café? — Daren indagou e eu percebi na hora que não se tratava de uma pergunta, mas sim, ele estava me obrigando a ir.
Bloqueei meu computador e levantei da cadeira, seguindo-o em direção a copa. Ele ficou em silêncio enquanto enchia a sua xícara com café.
— Fala a verdade e o porquê do seu m*l humor. — Encostou na pia e eu suspirei.
Entre mim e o Daren, por sermos amigos de infância, havia zero de segredos entres nos dois, por isso, enquanto me servia café em um copo descartável contei toda a verdade e de brinde, a frustração que sentia e aumentava em meu peito.
— O que acha que eu devo fazer? — Indaguei assim que terminei de contar.
— Pedir demissão e mudar de casa! — Encarei-o de olhos arregalados. — É a única opção de esquecer ela e o que sente por ele.
— Ah m3rda... — Encostei a testa na bancada. — Isso é ainda mais frustrante quando falo em voz alta... — Daren me deu uma breve cutucada, mas eu nem dei importância. — Eu queria pelo menos ter a oportunidade de contar pra ela o que eu sinto e o porquê continuei na empresa mesmo não gostando da área. Porr4, ela é tão perfeita desde os fios dos seus cabelos até a ponta dos pés, e olha que eu nunca vi os pés dela, mas como tudo é perfeito na Venera, não duvido que seus pés também sejam. — Suspirei.
— Ares... — Sibilou Daren.
— Queria beijar aqueles lábios, tocar e acariciar seu corpo, tocar todo o seu corpo até ela se desfazer em mim... Não é só na questão s****l, mas em outras questões também, que se eu falar pode parecer que eu sou emocionado demais, mas eu sei que no fundo do meu coração que não tenho chances e que ela tem opções melhores!
— Ares! — Me beliscou.
— Aí porr4, que foi? — Encarei-o, encontrando o seu olhar para a porta. — Eu estava me abrindo profundamente pra v... — Segui o mesmo rumo do seu olhar e eu juro que parei de respirar.
— S-Senhora Kim... — Engoli o seco vendo de soslaio Daren dar um gole auditivo do seu café.