— Sr. Galanis e sr. Smith. — Ela falou casualmente enquanto caminhava até a máquina de café assim que nos afastamos.
"Ela ouviu desde qual parte?", pensei desesperado.
Olhei para o Daren de olhos arregalados e ele apenas concordou como se soubesse o que eu estava pensando e que estivesse confirmando, que ela tinha ouvido tudo que eu tinha falado.
"Porr4, porr4, porr4!", o ar m*l entrava em meu peito.
Ela ouviu minha confissão, e o pior de tudo, sabia que é pra ela, por que eu mencionei o nome dela. Não devia ter aberto a boca para o Daren na empresa, não quando sabia que ela estava presente em sua sala. E eu só sabia de uma coisa, agora sim eu iria apresentar minha carta de demissão.
— Senhores! — Passou e eu pude sentir que seu olhar demorou mais em mim do que no Daren.
— Fud3u... — Passei as mãos em meus cabelos, bagunçando-os.
— É, você tá fud1do mesmo! — Daren disse e isso não ajudou em porr4 nenhuma.
— Às vezes eu me pergunto se você é mesmo meu melhor amigo ou irmão como sempre fala. — Resmunguei e ele apenas deu de ombros escondendo o sorriso na xícara. — Eu tenho outro trabalho então se eu sair desse daqui vou conseguir me sair muito bem, não é? — Os lábios dele se franziram para conter a sua risada.
— Eu tentei te chamar a atenção, mas você está em transe. Minha parte como amigo e irmão, eu fiz, que foi tentar te avisar de que ela estava presente. — Outra vez deu de ombros e saiu da copa, deixando-me sozinho e desesperado.
Quando voltei para a minha mesa a primeira coisa que comecei a fazer quando desbloqueie o computador foi digitar a minha carta de demissão, antes que ela pudesse me demitir.
Daren se inclinou na direção do meu computador e soltou uma boa gargalhada as minhas custas.
— Ares, depois você olha o seu e-mail. — Daniel disse e eu o encarei com uma sobrancelha arqueada.
Enquanto entrava no e-mail e baixa o documento que ele me enviou, pensava que era impossível Daren e eu termos ficado tanto tempo na copa pra ele terminar o que eu pedir que fizesse.
Abri o documento e foi automático o repuxar dos meus lábios em desgosto ao que eu encontrei.
Sem sombras de dúvidas, era copiado da internet, pois em alguns sites possuem o sistema de que quando cópia e cola, as pontuações não apareciam. E era exatamente isso que estava na minha frente!
— Espero que saiba que plágio pode dar cadeia viu? — Exclamei em voz alta sentindo os olhares de todos em mim.
— Eu não copiei da internet! — Sua voz soou tão firme que até eu acreditei por instantes.
Passei as mãos em meus cabelos antes de copiar o que ele me enviou e colar no site que eu sempre usava pra saber se algo foi copiado ou não da internet.
— Achei o site. — Encarei-o vendo seus olhos arregalados. — Usa um nome feminino em suas assinaturas? — Ele engoliu o seco.
— Isso é uma calúnia! — Concordei com desdém.
— Então amanhã você fará a apresentação. — Ele ficou mais pálido do que eu esperava. — Falarei com a srt. Kim mais tarde, recomendo se preparar para a apresentação e espero que não decepcione a srt. Kim e muito menos a mãe dela e as milhares pessoas importantes que estarão presentes no dia.
— E-Eu faço, farei outro bem feito e não copiado da Internet. — Sorri de lado perante o medo e desespero dele.
— Bom garoto! — Ele me olhou com muita, mas muita raiva, porém eu nem me importei, afinal, eu ia fazer da vida dele um inferno até o momento que a minha carta de demissão for aceita.
Assim que terminei de escrever minha carta de demissão, mandei imprimir e fui até a impressora com um envelope em mãos.
Aquilo era o extremo? Claro que era, mas em comparação com a vergonha que passei na copa, não era nada.
Com o coração na mão e o envelope na outra mão, fui até a sua sala no final do corredor.
Bati duas vezes na porta e entrei quando ouvi a sua suave permissão.
Ela estava sentada em uma mesa interdita nos documentos que estava em sua frente. A sala era organizada e passava uma sensação de calma, pois era simples e não havia muita poluição visual.
Havia janelas que iam do teto ao chão, e normalmente uma pessoa colocava a mesa em frente a elas e esse era o caso da Verena, porém era perceptível que ela não gostava muito da posição de sua mesa, pois todo o instante que fosse até sua sala, as cortinas estavam abertas, cobrindo as janelas por completo.
Do lado esquerdo estava as estantes adornando a parede e do lado direito um quadro branco com várias anotações que somente ela entendia.
Sua mesa e essas decorações ficavam um degrau elevado que o restante da sala, deixando-a ainda mais em destaque. No centro da sala estava o sofá branco em volta de uma mesa de centro.
Fechei a porta atrás de mim fazendo com que ela erguesse o olhar e ficasse bastante surpresa com a minha presença.
— Posso te ajuda em algo sr. Galanis? — Aproximei-me dela e com sutileza coloquei o envelope em sua frente. — O que é isso?
— Minha carta de demissão. — Seus olhos se arregalaram olhando para o papel em sua frente.
— U-Uma... — Sua voz oscilou me pegando desprevenido. — Uma carta de demissão?
— Sim senhora. — Houve um silêncio entre nós bastante longo demais para o meu gosto.
— Recuso! — Moveu o papel em minha direção, deixando-me bastante surpreso. — Volta pro seu trabalho. — Pegou o papel, como se repensasse melhor, e me deixou chocado quando rasgou-o e o jogou no lixo.
— Mas... — Tentei falar que ela não podia fazer isso, mas os seus olhos violetas encontraram os meus e a raiva que estava neles, me fez pensar duas vezes.
— Volte pro seu trabalho sr. Galanis! — Realizei uma breve reverência e sai da sala totalmente murcho e surpreso.
— E aí? — Daren indagou baixo assim que eu me sentei na cadeira e fiquei olhando fixamente pra tela do computador. — Deu certo?
— Ela recusou... — Sussurrei ouvindo uma risada baixa dele. — Meu Deus, será que ela planeja fazer algo comigo? Algo bem pior do que aceitar minha demissão.
— Tipo colocar você é o Daniel na mesma sala? — Provocou.
— Além de sofrer pelo o que ela ouviu, ter recusado a minha demissão, ainda vou ser preso por homicíd1o? — Deslizei na cadeira ouvindo a risada do meu melhor amigo.