— Já cuidou de crianças? — questionou, analisando meu currículo falso.
— Sim — tentei soar convicta para ele não suspeitar de nada.
Olhei ao redor, observando o escritório com mobília simples. Uma estante de livros na cor mogno, a mesa no mesmo tom, notebook, alguns documentos espalhados por ela e dois retratos dele com a filha e a esposa. Pude ver de relance mesmo que não estivesse bem no meu campo de visão por eu estar de frente para sua mesa.
— Certo, foi minha sogra quem te recomendou — Marcos passou a mão direita pelos cabelos escuros e sedosos — Acho que não tenho outra escolha a não ser aceitar.
— Pode confiar em mim — respondi com um sorriso que julguei ser natural.
— Meu trabalho é home office não sei se isso te incomoda — ressaltou a informação que eu já sabia pela minha contratante.
O que dificultaria um pouco a situação, mas uma vez que estivesse dentro da casa. Podia dar um jeito.
— Sem problemas — ele me encarou por mais alguns segundos, antes de levantar da cadeira e me estender a mão.
Mal sabia que eu não estava ali só para ser babá.
E se tudo desse certo, meu nome seria conhecido em todo o Brasil como a detetive feminina mais promissora de todos os tempos.