Capítulo 1

801 Palavras
Trabalhar naquela casa para conseguir provas ou informações era meu foco principal, mas como babá, teria que agir de acordo. Ser atenciosa e gentil para não levantar suspeitas, além de disfarçar muito bem minha intenção verdadeira. — Bom dia — saudei ao chegar em seu escritório no meu primeiro dia de trabalho oficial. Marcos sequer olhou na minha cara, seus olhos esverdeados permaneceram na papelada em cima de sua mesa e ele apenas murmurou que se precisasse de algo, podia chamar a governanta. Eu não conseguia entender o porquê de uma criança precisar de babá se o pai estava na mesma casa e ainda por cima com uma governanta por perto. Até Maria me levar a um tour pela mansão e eu entender tudo, era gigante, dava para eu me perder ali dentro e nunca mais encontrar a saída. Ela devia ter um p**a trabalho para cuidar de tudo e sabia bem que uma criança demandava atenção especial, ainda mais uma que tinha perdido a mãe de forma tão abrupta e recente. Marcos também não parecia se dar conta de nada ao redor, como se funcionasse no automático. Apesar de saber pela minha contratante que ele estava seguindo em frente muito rápido e por isso as suspeitas. Marcos não parecia ter ido para lugar nenhum, estava mais para um zumbi ambulante que precisava desesperadamente de ajuda para cuidar da própria filha, porque ele não estava cuidando nem de si mesmo. Isso me deixou com um leve peso na consciência, porque eu tinha planos de vasculhar cada cantinho daquela casa e de sua vida, em busca de informações sobre a morte da Luiza. — Bianca está na escola, chega daqui a pouco — Maria informou, quando paramos na sala de estar enorme da casa — Se quiser tomar um café ou dar uma volta no jardim enquanto isso. — Vou ficar com o jardim — sorri amistosa, ela assentiu e me guiou até lá. — Se precisar de qualquer coisa, pode me ligar — e me entregou um telefone móvel — Meu número está salvo nos contatos — assenti — Só peço que não incomode o senhor Marcos, ele gosta de ficar no escritório até a hora do jantar. — Tudo bem — engoli em seco, seria complicado descobrir coisas ali, mas eu daria meu jeito. Maria acenou para mim e caminhou para dentro da casa. Olhei para o jardim, admirando a beleza dali, a grama bem aparada, as margaridas e girassóis… Eu não frequentava esse tipo de casa, meu mundo era outro. Então poder sentar em um banco para apreciar as flores me deixou feliz, precisava me dar bem naquele trabalho, mas podia aproveitar os benefícios de ser babá de uma criança rica, certo? Não estava fazendo nada demais. Peguei o celular e fiz algumas anotações das poucas informações que descobri, não era muito, mas me animei ao pensar que era meu primeiro dia ali e em algum momento algo importante cairia no meu colo. Ou eu iria atrás, claro. Não podia sequer pensar em devolver o valor recebido como adiantamento, do contrário poderia dizer adeus ao meu carro e alguns confortos recém adquiridos, como um plano de internet melhor para poder fazer pesquisas e assistir vídeos sem travar todo meu computador. Meu próximo passo seria instalar escutas pela casa, mas precisaria tomar cuidado com a Maria. Portanto, isso levaria um tempo. Enfim, devo ter me distraído mesmo, porque quando ergui a cabeça, havia uma criança diante de mim. — Soube que vai ser minha nova babá — informou séria, fiz que sim com a cabeça. Estava um pouco intimidada, afinal Bianca parecia uma condessa disposta a acabar com a minha paz se eu não a obedecesse. O que tecnicamente deveria ser o contrário, eu era a adulta ali. Mesmo assim seus olhos verdes estavam sobre mim de uma forma totalmente incomoda. — Sim — estendi a mão para ela. Bianca a ignorou, virando o rosto. — Eu não preciso de babá, mas já que ninguém me ouve aqui, você pode fingir que cuida de mim — falou com desdém. Meus lábios se abriram em uma expressão de surpresa e estava pronta para revidar, até lembrar que não podia ser demitida no meu primeiro dia de trabalho ou todos os meus planos seriam frustrados. E acima de tudo, eu compreendia que devia ser difícil para ela ter que lidar com toda aquela situação depois de ter perdido a mãe. — Sei que vamos nos dar bem — forcei um sorriso convincente — Me chamo Susan, prazer. — É, eu sei — ela cruzou os braços — Vai ficar aqui no jardim até quando? Quase revirei os olhos, mas me contive e levantei dali, disposta a iniciar meu turno como babá de uma criança mimada e rabugenta. Eu faria o meu melhor.
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