OLÍVIA O Urso me segurava firme, como se tivesse medo que eu sumisse. O corpo dele tava quente, e eu sentia a tensão nos músculos dele, a respiração pesada. Ele tremia, mas não de medo. Era raiva. Muita raiva. Descemos as escadas rápido, enquanto o Madrugadão cuspia ameaça atrás de ameaça. — Tu vai pagar caro, Urso! Essa p***a não vai ficar assim! Urso nem olhou pra trás. Só apertou mais minha cintura e me manteve perto dele até a gente sair daquele inferno. No carro, ele me puxou pro colo dele sem cerimônia. Meu corpo parecia de pedra, duro, travado, mas a mão dele passava nas minhas costas, tentando me acalmar. — Já era, Olívia. Tá comigo agora. Eu queria acreditar, mas minha mente ainda tava lá. Ainda sentia o cheiro daquele quarto. O peso daquela situação grudado na minha

