Lyla O corredor parece mais longo agora. Cada passo que dou ecoa como um trovão no meu peito. Meus dedos tremem. Minha respiração está curta, entrecortada, como se o ar tivesse ganhado peso. Não sei se ando ou sou arrastada por uma força maior, uma que vem de dentro, que me impulsiona mesmo quando eu só queria sentar no chão e sumir. Sete meses. Sete. O tempo ganhou uma textura diferente desde que voltei. Dias que antes pareciam segundos agora se arrastam como horas intermináveis. E Lucian... ele está lá. Encostado na parede oposta. Quando me vê, se endireita imediatamente, os olhos fixos nos meus. E naquele instante, antes mesmo de qualquer palavra ser dita, eu vejo. Ele percebe. Ele sabe. Ele sempre sabe. Mas ele espera. — E então? — a voz dele é baixa, calma, respeitosa. Como se

