Décimo segundo

1061 Palavras
Depois da conversa com Meteo Ricci eu impressionantemente me sentia um pouco mais leve. Falei com minha mãe depois de ajuda lá a decidir o destino de sua irmã, e isso com toda a certeza foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz em vida. Como era uma vontade da minha tia Margaret assinamos a ordem que os membros dela deveriam ser retirados e usados em cirurgias para quem sabe salvar a vida de outras pessoas. Ela não gostaria de saber que seu desejo não fora atendido, na verdade, ficaria irritada se soubesse disso. Quando viva uma vez ouvi ela dizer que não queria ser enterrada como qualquer outra pessoa e sim queria contribuir para ajudar alguém de algum modo, então meses depois descobrimos que ela tinha feito alguns testes e assinado esse contrato. Olhei para minha mãe sentada na cadeira ao lado do escritório, não parecendo acreditar naquelas coisas. Quando saímos e só ficamos eu e ela ouvi um choro. Eu não a culpo, afinal de contas havia perdido alguém querido a sua irmã. — Quer andar um pouco? — perguntei. Quem sabe um pouco de ar fresco ajudasse? Ela me olhou e não disse nada de início apenas confirmou com a cabeça. Seguimos em silêncio para o lado de fora, o dia estava começando e com ele muitas coisas e muitas pessoas acordavam. Sorri com isso, eram poucas as vezes que acordava cedo como também eram poucas as vezes em que tinha uma oportunidade para conversar com a minha mãe, afinal de contas não morávamos próximas uma da outra e muito menos éramos próximas o que de certa forma dificultava um pouquinho a convivência como um todo. — Como estão as coisas em casa? — perguntei, me senti um tanto desconfortável com aquele silêncio e por mais que o assunto fosse tosco achei que deveria falar alguma coisa. Ela me olhou enquanto andava, riu baixo e eu franzi o cenho um pouco confusa. O quê tinha de tão engraçado? — Por qual motivo? — perguntou a mais velha sem ao menos me olhar. Se eu já estava confusa antes agora eu estava bem pior. — O quê? — questionei. — Por qual motivo você quer saber sobre um lugar que você nunca mais pisou Amy? A fala dela me pegou de surpresa, por mais verdade que fosse eu não imaginava nem de longe que aquele sentimento estivesse guardado. É, eu estava sendo uma péssima filha. Suspirei fundo, o meu peito abaixou e subiu e fiquei tensa. Eu não sabia como responder aquilo, pois, eu raramente ligava para os meus apenas em datas comemorativas como: aniversários ou feriados fora isso nunca via se uma mensagem minha e quando via era algo bem simples e sem tanta extravagância, sentia me culpada. Eu fiquei parada e diferente de mim a mulher continuou andando, contudo não tão depressa só para apenas quem sabe colocar os pensamentos no lugar. Então tratei de acompanhar seus passos naquela jornada, voltei a ficar ao seu lado e ela me fitou sem muito ânimo. Eu sabia que era um misto de vários sentimentos perder alguém querido ainda assim não precisava simplesmente jogar tudo em mim daquele jeito. — Já tivemos essa conversa e eu não acho que você queira revirar assuntos que já estão no passado, ou quer? Sei que fui meio rude nas palavras como também no meu tom de voz, porém, eu não era mais uma garotinha e não tinha motivo algum para abaixar a cabeça nessa situação. Minha mãe soltou a respiração, sentou se em um banco perto do ponto de ônibus e eu fiz o mesmo sentando na outra ponta coisa que motivou um riso nos lábios dela. Pelo menos eu servia para diverti lá. — Eu nunca entendi o motivo, você tinha uma vida feita onde estava. — Comentou. Soltei um sorriso de canto ao ouvir tal coisa. — Exatamente. — Falei logo em seguida e pela primeira vez naquelas horas eu vi o rosto dela franzir um tanto confuso. Deixei que o silêncio se instalasse temporariamente ente a gente então se olha lá comecei a tirar aquelas dúvidas que estavam ali plantadas há muito mais muito tempo ao que parecia. — Eu tinha uma vida feita, porém, não foi feita por mim. — Expliquei, todo o segundo em que falei aquilo meus olhos estavam fixos na figura ali presente. — E isso não é justo. — Por qual motivo? — perguntou. Suspirei. Aquilo talvez fosse mais difícil do que eu esperava. Pensei um pouco antes de falar mais alguma coisa, escolhi cuidadosamente as palavras naquele momento, ao menos tentaria ser o mais clara o possível. — Eu sei bem que a senhora não gostaria de ter a sua vida controlada, de ter alguém que mande e desmande em você não é mesmo mamãe ou eu estou errada? — Retruquei. Ao invés de palavras o que recebi foi apenas uma negativa feita com a cabeça o que me deixou de certa forma aliviada. — Então... — Prosseguia com a explicação, sempre buscando ter a voz mais calma o possível afinal de contas o meu objetivo não era irritar ela e sim explicar a minha situação ou melhor dizendo a minha antiga situação, me aproximei um pouco e por fim sorri. — Você me entende agora? Ela sorriu, algo pequeno tanto em tempo como também em duração. — Eu não queria eu você se sentisse desse jeito, não era e nunca foi a minha intenção me desculpe por isso. Depois de muito mais muito tempo mesmo eu sentia que estava tendo uma conversa franca com a minha mãe, e bem eu me senti ótima com isso. — Você não tem que se desculpar, apenas achou fazer o certo para sua filha como eu poderia culpar você por isso? Após tal fala ficamos em silêncio, nos olhando com o choro preso. Deus! Eu odiava com todas as minhas forças ser uma grandíssima manteiga derretida. Então a primeira lágrima acabou sem querer rolando e junto dela um riso baixo. — Desculpa. Minha mãe acabou me acompanhando naquilo e eu sorri largo, era um momento de união entre mãe e filha bem estranho ainda assim era um daqueles momentos reconfortantes. Soltei um suspiro baixo entre os lábios. — Eu vou sentir falta dela. — Desabafou a mais velha. — É, eu também vou. — Falei.
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