Bianca Narrando Eu já tava no limite. Saco cheio é pouco. Era raiva, humilhação, indignação misturada com incredulidade. Aquela casa sempre foi minha também. Antes de tudo desandar, antes daquele acidente, antes daquela Isabela aparecer do nada, aquela era a minha casa. Meu endereço. Minha rotina. Minha vida. E agora eu tava ali, dentro do carro, segurando o volante com força demais, os dedos quase doendo, indo pra um condomínio de luxo onde eu sempre entrei sem ninguém questionar absolutamente nada. Até hoje. Quando cheguei na portaria e baixei o vidro, o segurança nem precisou olhar duas vezes. — Dona Bianca… — ele começou, já com aquela cara de constrangimento. — Finalmente — eu cortei, seca. — Abre o portão. Eu vim buscar minhas coisas. Ele respirou fundo. — A senhora não pode

