ISABELA NARRANDO Troquei o vestido branco por um preto mais comportado — ou pelo menos menos escandaloso, segundo o fiscal oficial de roupas indecentes que eu namoro. Ele ainda reclamou, claro. Cruzou o braço, fez cara feia, disse que preto também marcava demais. Eu só revirei os olhos. — Não vou trocar de novo, não — falei, já pegando a bolsa. — Beijo, tchau. Dei um beijo rápido nele, daqueles só pra provocar mesmo, e virei de costas antes que ele começasse outro discurso. Foi quando ouvi: — Ei… você vai com o meu carro? Olhei por cima do ombro, rindo. — Vou. — Isabela… — Davi, fica quieto e descansa. — pisquei. — Prometo não amassar. Desci, entrei no carro e, quando liguei o motor, senti aquele friozinho na barriga misturado com empolgação. Eu. Dirigindo o carrão dele. Se alguém

