ANTÔNIO NARRANDO Eu estacionei a SUV na frente da casa do meu filho já passando das nove da noite. As luzes ainda estavam acesas, vitrines fechadas, mas eu sabia que a Helena não saía enquanto não deixava tudo do jeito dela, era o jeitinho meticuloso dela de existir. Entrei e vi ela fechando a bolsa, dando as últimas orientações para as meninas. — Pronta, dona Helena? — perguntei sorrindo do canto da porta. Ela virou, suspirou, mas sorriu também. — Agora sim, meu amor. Foi um dia longo. Nós saímos juntos, eu abri a porta do carro pra ela, que fingiu que não liga, mas eu sei que gosta e só quando estávamos na rua, com o motor ligado, que eu perguntei: — E o Davi? Como é que ficou depois do expediente? Tava mais calmo? O rosto dela mudou na hora — não preocupado, mas iluminado. Como s

