ISABELA NARRANDO Eu nem consegui pensar direito no que tinha acabado de acontecer. A boca dele ainda tava na minha. Ou melhor… a memória da boca dele. O calor da boca dele. A força e a entrega que eu nunca imaginei receber daquele homem. Fiquei ali, colada no peito dele, com a respiração presa, como se meu corpo inteiro tivesse esquecido como funcionava. O filme continuava passando na televisão, mas parecia que o mundo tinha ficado em silêncio absoluto só dava pra ouvir o nosso ar misturado, quente, acelerado, tropeçando um no outro. E o coração dele… Meu Deus. O coração do Davi batia tão rápido, tão forte, que eu conseguia sentir a pulsação subir pelo meu rosto, pela minha boca, pelo meu pescoço. Eu encostei a minha testa na dele sem nem perceber, ainda meio tonta, meio boba, meio inca

