MARLENE NARRANDO Eu achei que minha vida tinha terminado ali no Rio aquele dia no restaurante. Voltei pra Vicente de Mauá com o coração parecendo pano torcido, jurando pra mim mesma que não ia me meter nunca mais com homem casado, com gente rica, com confusão de família dos outros. Mas aí o telefone tocou. E era a minha menina. A voz dela tremendo, rindo, chorando, falando rápido: — Mãe… eu tô grávida. Na hora eu sentei na beirada da cama, botei a mão no peito e achei que era pressão caindo. — Como é que é, minha filha? — perguntei, com o coração disparado. — É isso mesmo que a senhora ouviu. — ela riu, emocionada. — A senhora vai ser vó. Eu desliguei a ligação depois de muito choro, muita promessa de que ia dar tudo certo, muito “se cuida”, muito “come direito”, muito “não anda c

