DAVI NARRANDO A casa começou a encher de um jeito que eu não via há muito tempo. Gente chegando, vozes misturadas, risada ecoando pelos corredores. Aquela movimentação que antes eu evitava a qualquer custo. Teve uma época que eu não queria ver ninguém. Não queria explicar nada. Não queria responder pergunta nenhuma. A cadeira virou uma barreira entre mim e o mundo — inclusive entre mim e a minha própria família. Mas naquele dia… tava diferente. O primeiro primo que entrou foi o Lucas. Crescemos praticamente juntos. Era parceiro de bagunça, de festa escondida, de besteira que só primo sabe. Quando ele me viu, parou por um segundo. Eu vi o microsegundo de surpresa no rosto dele. Depois veio o sorriso largo. — p***a, Davi! — ele falou, vindo direto até mim. — Quanto tempo, irmão! Ele não

