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924 Palavras

MARLENE NARRANDO Quando eu desliguei o telefone com a Isabela, o silêncio do quarto pareceu ainda maior. Fiquei uns segundos parada, sentada na beirada da cama, encarando o nada, com o celular ainda quente na mão. A voz dela ainda ecoava na minha cabeça: “Mãe, você vai embora por causa dela?” “Não faz isso, mãe, por favor…” E eu tive que respirar fundo pra não chorar ali mesmo, com a chamada ainda aberta. Eu conheço a minha filha. Se eu deixo transparecer mais um pouco, ela enfia a passagem de volta no bolso e volta correndo de Paris. E isso eu não ia deixar nunca. Ela merece estar lá. Merece viver esse sonho. Merece tirar foto sorrindo, comer coisa chique, andar de mão dada com o homem que ama sem lembrar de conta atrasada, humilhação em fila de mercado, olhares tortos por ser “a po

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