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929 Palavras

Calça clara, corte reto. Camisa social de algodão, dessas mais leves, nada engomado demais. Tênis branco, limpo, simples — luxo silencioso, do jeito que eu gosto. Joguei os óculos por cima da cabeça, conferi carteira, celular, documentos. Tudo no lugar. Antes de sair, olhei o quarto vazio mais uma vez. A cama já arrumada, o cheiro dela ainda ali. Aquilo me deu ainda mais certeza do que eu tava fazendo. Desci, fui pra garagem, fiz o deslocamento com calma, entrei no carro e segui pra empresa. O prédio já aparecia de longe. Imponente. Vidro, concreto, aço. Mais de cinquenta andares cortando o céu da cidade. Um símbolo de tudo que eu construí — e de tudo que eu sustento. Assim que entrei, o clima mudou. Ali, ninguém me chama de Davi. Ali, eu sou senhor Montesano. Sempre. Do porteiro ao c

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