Ele inspirou fundo. — …me faz acreditar numa coisa. Meu peito travou. — Em quê? — perguntei. Ele olhou bem nos meus olhos. — Que você vai voltar a andar. O silêncio que veio depois foi tão pesado que dava pra ouvir o relógio da parede. Eu pisquei devagar, achando que tinha entendido errado. A Isa arregalou os olhos, procurando em mim uma tradução. — O… quê? — minha voz saiu baixa. Ele se inclinou um pouco pra frente. — Pode gravar meu nome e a data de hoje — falou devagar. — Doutor Laurent. Dia tal, mês tal, ano tal. Eu estou te dizendo: você já faz coisas que, em teoria, não deveria fazer com esse diagnóstico. Ele levantou um dedo, pontuando: — Você dirige seu próprio carro adaptado, certo? Assenti. — Você tem reflexo, equilíbrio de tronco muito melhor do que muitos pacientes

