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909 Palavras

— Pra onde você quiser. — respondi, começando a empurrar a barraca devagar, sentindo o peso irregular nas rodas. — Se você quiser ir pra sua casa, eu vou empurrando até o seu portão. Se quiser sentar num canto mais afastado dessa praça, a gente senta. Mas eu não vou embora sem você me ouvir. Ela andou ao meu lado, calada, enquanto eu empurrava a barraca pelo calçamento da praça. As rodas faziam um barulho seco nos desníveis, o vento batia na lona, levando o cheiro doce de bolo que ainda restava. Eu olhava pra frente, mas sentia o olhar dela de lado, me analisando como se eu fosse um estranho. Talvez eu fosse mesmo. Pelo menos pra versão dela que só tinha conhecido o homem complicado, casado, dividido entre duas vidas. Ali, empurrando a barraca de bolo no meio de Vicente de Mauá, eu não

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