Respirei fundo. Não foi fácil começar. — Depois do acidente… — minha voz saiu mais grave — eu me escondi. De vocês, da minha família, da minha vida. Eu tinha vergonha da cadeira. Vergonha de sair, vergonha de ser visto, vergonha até de existir fora daquele quarto. Olhei em volta. Vi primo que eu não via há anos. Tio que tentou me chamar e eu nunca atendi. Minha mãe com os olhos marejados. Meu pai sério, me escutando em silêncio. — Teve dia que eu achei que tinha acabado ali. Que a minha história tinha sido interrompida. Eu não queria mais ir pra empresa. Não queria dirigir. Não queria sair. Não queria nem tomar os remédios direito. Comia qualquer coisa, dormia a hora que dava, vivia empurrando tudo com a barriga. Apertei a mão da Isabela de leve. — Aí essa mulher apareceu. Algumas ri

