Ele fechou a expressão na hora. — Isabela, na boa… você não tem noção do que tá falando. — Tenho sim. — Cruzei os braços. — Você não tá morto. Você não tá inválido da cabeça. Você pode sair. Pode ir em qualquer lugar que tenha rampinha. E elevador. E eu tô aqui pra isso, lembra? Ele suspirou, irritado. Mas era outro tipo de irritação. Não era raiva. Era… medo. Medo de tentar. Medo de falhar. Medo de sentir. — Você nunca pensou em ir em algum lugar desde o acidente? — perguntei mais suave. — Nem uma vez? Ele desviou o olhar. Demorou uns dois segundos antes de responder: — Pensei. — Em quê? — perguntei baixinho. — Em nada que importe. E eu senti. Ali, na voz dele. Que importava sim. Só que ele não queria falar ainda. Ele tentou voltar a olhar o iPad, mas a mão dele tremia

