Eu saí do quarto do Davi ainda tentando entender o que tinha acabado de acontecer. A porta fechou atrás de mim e eu fiquei parado no corredor por dois segundos — só dois — antes de soltar um riso baixo, desacreditado. A Isabela… Aquela menina… Conseguiu fazer o Davi dizer “vou”. Eu desci as escadas com pressa, quase tropeçando no tapete persa que a Helena insiste em deixar no meio do caminho há trinta anos. Encontrei ela na cozinha, de costas, mexendo no café como se fosse madrinha de festa junina. — Helena — falei, ainda sem fôlego — você não sabe o que acabou de acontecer. Ela virou devagar, com a colher ainda levantada. — O quê foi agora? — perguntou, desconfiada. — A Bianca jogou mais comida fora? — Não, pior… — eu ri, sem conseguir controlar. — O Davi vai na empresa. A colher

