ISABELA NARRANDO A casa tava silenciosa daquele jeito bom, sabe? Não vazio. Tranquilo. Aquele silêncio de ar-condicionado ligado, água correndo, gente trabalhando longe, cada um no seu canto. Eu tava na piscina com a minha mãe, o sol batendo gostoso, aquelas espreguiçadeiras enormes de resort, toalhas branquinhas dobradas do lado, água azul clarinha parecendo foto de revista. Eu fiquei boiando um pouco, só sentindo a água gelada no corpo, tentando não pensar demais. Mas era impossível não pensar. — Você tá quieta demais, Belinha — minha mãe falou, sentada na beira da piscina, com os pés dentro d’água. — Tá nervosa? Virei de lado, apoiei os braços na borda. — Um pouco… — admiti. — Não por ele. Por mim, talvez. Ela me olhou com aquele olhar de mãe que enxerga coisa que a gente nem sabe

