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1562 Palavras

MARLENE NARRANDO A conversa tava tão boa que eu até esqueci de olhar pro relógio. A gente ria, falava da noite, ele lembrava de um detalhe, eu lembrava de outro, e parecia que o restaurante nem existia. Era só eu e ele, ali, naquele mundo paralelo onde problema nenhum batia na porta. Até que bateu. Veio primeiro um barulho diferente. Um silêncio estranho nas mesas ao redor, uns cochichos, cadeiras arrastando. E, logo depois, uma salva de palmas irônicas atrás da gente. Aquele tipo de palminha lenta, venenosa. Eu gelei na hora. Eu conhecia aquele som. — Mas que cena LINDA, hein? — a voz dela cortou o ar como faca. Eu fechei os olhos um segundo antes de virar. Não precisava ver pra saber quem era. Lúcia. Ela estava em pé, alguns metros atrás da nossa mesa, com aquele sorriso de vil

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