ANTÔNIO NARRANDO Eu fiquei alguns segundos olhando pra porta fechada, ouvindo ainda o eco do salto da minha mãe indo embora pelo corredor. Parecia que a casa estava diferente. Mais leve e, ao mesmo tempo, em ruínas. Virei devagar pra Helena. — O que você acabou de dizer? — perguntei, ainda sem acreditar. — Isso é verdade? Os olhos dela amoleceram na hora. O rosto, que tava duro de raiva, desarmou. — É, Antônio… — ela respirou fundo. — A gente vai ser avô. Aquilo bateu em mim de um jeito estranho. Um misto de susto com orgulho. Eu levei a mão à cabeça, andei dois passos pela sala. — Meu Deus do céu… — A sua mãe passou de todos os limites — Helena continuou, a voz embargada. — Alguém precisa parar essa mulher. Eu fiquei com medo dela fazer alguma coisa contra a Isabela, Antônio. Você

