FLÁVIA
Viajamos para a casa do meu pai. Estava muito animada para isso. Sinto falta dele, dos meus irmãos e da minha madrasta. Dimitri parecia ansioso desde cedo. Queria acreditar que era por causa dos suspeitos da boate, mas não acho que seja isso. Talvez seja porque ele tem medo do meu pai. Ele nunca namorou alguém que tinha um pai tão atento, cuidadoso e ciumento. Eu gosto de tudo isso. Meu pai Lucchesi nunca foi assim, muito pelo contrário, me colocava para dormir com outros homens. Nem gosto de me lembrar.
Mas o meu pai gosta do Dimitri. Se fosse diferente, ele não teria me deixado viajar com ele e ficar meses fora.
Assim que chegamos na fortaleza Callalto como apelidei carinhosamente, reconheci o carro que estava ali na frente. A placa.
— É o carro da minha mãe?
— Não sei. Muita gente tem um carro desses por aí, Flávia. — estacionou.
— Não com a placa CU6969. É a placa do carro da minha mãe. — nunca me esqueceria de algo assim! É uma placa memorável e o Hernando sempre faz piadas sobre ela.
Saímos do carro e tocamos a campainha, não demorou para a porta ser aberta e entramos.
— Ysla! — a abracei forte.
— Senti saudades.
— Eu também. Estava morrendo de saudades.
— Minha futura cunhada preferida. — Dimitri a abraçou.
— Por que só no futuro? Eu já fiz muito por você, Lucchesi.
Ri.
— Está convivendo demais com o Frederico. Ele não presta.
— E você é o perfeito. — Fred rebateu e fui ao seu encontro de braços abertos. Dimitri morre com isso, mas eu gosto demais do meu primo. Nos abraçamos. — Deixa eu ver a sua cara. — segurou o meu rosto e o analisou enquanto ri. — Ainda está cega de paixão.
— E você? Já se curou dessa doença?
— Já. — sua resposta não foi convincente.
— Procura o meu irmão mais velho. Ele te ama. — Dimitri aconselhou.
— Ele ainda está vivo? Aquela garota ainda está viva? Coitada.
— Pois é. — concordei.
— Flávia, não me faça me arrepender do que vim fazer aqui. — meu namorado pediu, encolhendo o nariz.
— O que? — fiquei curiosa e entramos na casa. Encontrei José Luiz e o abracei forte também. Ouvi a voz da minha mãe. — Mãe?
O que a minha mãe faz na casa do meu pai?
Cheguei na sala e não sabia o que fazer. Se cumprimentava o meu pai ou questionava a minha mãe e o meu pai Lucchesi.
Meu pai me abraçou. — Que bom que chegou.
— Tudo bem, pai? O vocês fazem aqui? — olhei para os dois outros pais.
— Dimitri. — minha mãe torceu a boca.
— Dimi? — olhei para o safado.
— Eu preciso de seus pais todos juntos e agora que existe essa trégua entre as famílias, por quê não?
Cumprimentei a minha madrasta, minha mãe e meu pai Lucchesi, mas as ideias do que Dimitri planejava me deixou nervosa.
— O que você anda planejando, Dimitri Lucchesi? — me virei para ele.
— Também quero saber. — Frederico perguntou ciumento.
— Como todo mundo já está careca de saber, eu sou completamente apaixonado por essa mulher aqui. — segurou as minhas mãos. — É o amor da minha vida e nunca será diferente. E o nosso nunca já está beirando os cinco anos, acho que é uma falta de respeito, senhor Callalto, numa família tradicional, pular o casamento e morar juntos. E por isso, eu quero pedir a todos aqui a mão da Flávia em casamento. Você aceita se casar comigo, amor?
Meu queixo caiu. Como ele escondeu esse plano vivendo sob o mesmo teto que eu?
Casar? Casar com Dimitri?
Ele tirou a caixinha com o anel de noivado. Um lindo anel dourado com cristais.
— Dimitri… — fiquei sem palavras.
— É sim ou… sim. — rimos.
Olhei para o meu pai Lucchesi. — Já estão em família mesmo. Fazer o que?
Ele não tem ânimo para nada!
Olhei para a minha mãe. — Cinco anos já é tempo demais. E eu preciso de netos. Abençoo, mas só porque esse rapaz mostrou que tomou jeito.
— Tia… tão carinhosa!
— Eu não daria a mãe da Flávia para um Lucchesi. — Frederico se pronunciou.
— Cala a boca, peso morto!
Olhei para o meu pai. Ele veio até nós e apoiou a mão em meu ombros. — Demorei muito para ter a minha filha perto de mim e por você não ter a convencido a fugir e nem ter a sequestrado, como já é esperado dos tipos desta família, ganhou pontos comigo.
— Aiai… — meu pai Lucchesi resmungou. — Poderíamos estar em casa…
— Dimitri, você mostrou ser um rapaz de respeito. Eu abençoo sim, mas isso não te livra das ameaças de sempre. A minha filha é um dos meus tesouros. Quem ousar roubá-la de mim, conhecerá a fúria dos Callalto.
— Isso aí, tio.
Sem dúvidas, a opinião do meu pai era a mais relevante para mim e fico contente demais por saber que ele aprovou.
— Já estava na hora, Dimitri. — minha madrasta sorriu.
— Eu sei. — ele ficou sem graça. — E você, dona Flávia?
Mordi os lábios. — Que pergunta, Dimitri! É claro que é sim! Eu quero sim me casar com você e viver tudo o que tivermos para viver juntos.
Antes mesmo de colocar o anel no meu dedo, ele me beijou. — Te amo demais. Me casar com você me fará a pessoa mais feliz do mundo.
O abracei. — Você não existe, Dimitri. Como pode ser isso tudo? — segurei seu rosto e ele sorriu e pegou o anel. Entreguei a minha mão e ele o colocou. Coube perfeitamente. — Ainda bem que você não é igual ao seu irmão, que dá pneus.
Ele riu e beijou a minha mão. — Esse casamento vai ficar para a história.
— Pode crer. Lucchesi e Callalto juntos numa festa? — Fred parecia preocupado. — Se todo mundo sobreviver, vai ficar para a história.
[...]
Domingo, 21:20
DIMITRI
Thomas descobriu que a família Romero possuiu muito dinheiro e uma rede de prostituição que está em mais de cinco países. Agora eles vieram para a nossa cidade, f***r com o meu negócio. Segundo ele, não são tão poderosos quanto nós e somente o patriarca veio para cá.
Eu e meus irmãos fomos até o puteiro e a ansiedade que sinto para vingar a morte do meu pai é grande, seja esse homem ou outro, alguém terá que pagar.
Coloquei munição em minhas armas. Uma em cada bota, uma em cada lado do quadril.
— Não acho que vamos ter trabalho algum para resolver isso. — Thomas comentou. — E isso é o que me perturba.
— Ele só tem dois seguranças na porta e mais dois dentro do puteiro. — Damon estava informado de tudo. — Mesmo assim, para alguém que supostamente matou um m****o importante da máfia, ele conta demais com a sorte.
— É possível que ele não saiba com quem se meteu e pensou que nunca seria descoberto. Não é todo mundo que conhece os membros do submundo. — suspeitei.
— Depois do velório do nosso pai? — Thomas duvidou. — Não tem como não saber que somos da máfia. Resta saber quantos culhões esse homem tem para achar que foi uma boa ideia se meter com a nossa família.
— Deveríamos matar a família toda dele.
— Eles não estão aqui. — Damon avisou. — Como você disse, olho por olho, dente por dente. Eles não vão ousar revidar.
Thomas parou o carro em frente a boate e o ódio percorreu cada centímetro do meu corpo por ver que alguém destruiu o meu negócio para roubar os meus clientes.
Damon fez a frente antes que eu pudesse fazer isso. O segurança estendeu as mãos para revista-lo, mas com uma simples balançada de cabeça, o meu irmão o convenceu a não fazer isso.
— Não se preocupe com a gente.
Ainda.
Ele também não nos revisou.
— Olívia vai me esfaquear quando souber onde estive.
— E eu que acabei de pedir a minha em casamento? — comentei.
— E eu que vou ser pai de novo? — Thomas ganhou.
— Você está fodido. — dei tapinhas em seu ombro.
Damon encostou no balcão e uma atendente peituda veio nos atender.
— Estamos procurando Xavier Romero.
— Javier Romero. — Thomas corrigiu exausto.
— O Javier? — seus olhos ficaram inquietos.
— Sim. Diga a ele que tem alguns amigos o esperando.
— Tá bom. — ela saiu desconfiada.
Vamos ver se ele tem tantos culhões assim mesmo.