Capítulo 8

791 Palavras
Nayere nunca foi do tipo que desistia de seus objetivos na vida e por mais que quisesse, desistir até de si, não tinha coragem, amava seu trabalho e se sentir útil, com um caráter excelente, teve sorte de conseguir esse emprego. Ela nunca gostou ou soube mentir, mas em um mundo onde todos acham que sabem e podem tudo, foi forçada a mudar. Para se manter sã, vivia cheia de regras e rotina, gostava de viver assim. Antes das sete da manhã era sempre a primeira a chegar ao trabalho, às treze horas ia almoçar e, pontualmente, encerrava o expediente às cinco e meia. Fazendo chuva ou sol, ela nunca faltou um único dia e nem perdeu qualquer prazo, era a mais competente das secretárias sem sombra de dúvidas. E ela só era assim, porque em sua vida, não tinha nada além disso. Dominic, sempre teve temperamento difícil, no trabalho, carregava com orgulho a fama de carrasco. Quando passava, os funcionários corriam, evitando-o com medo. Adiantado e muito ardiloso, chegou antes do esperado, ao novo trabalho. Passou pela portaria sem dificuldade ou apresentação, foi testando cada funcionário que encontrou, ficando cada vez mais descontente. Muito bonito e com aquela pinta de rico, não foi barrado em momento algum, até chegar na mesa de Nayere, que estava concentrada preenchendo relatórios. Ao vê-lo se aproximando, levantou de imediato: — Olá, boa tarde, o senhor pode aguardar, por gentileza? Eu... Foi interrompida: — Boa tarde. Tenho uma reunião! Sem ter outra opção, Nayere se colocou à frente dele, impedindo-o de passar. O tecido de sua camisa de mangas compridas, seu padrão de vestimenta, estava levemente gasto, desbotado. — Moço, não pode entrar. Sem ser anunciado. — Quem é você? Qual o seu nome? — Com certeza não tem uma reunião agora. Eu saberia. Ele estava mexendo no celular, a olhou sério com desprezo. Reparando na aparência dela — Tem certeza que quer me impedir? Sabe com quem está falando? Ela era loira, olhos claros, o cabelo estava preso em um coque feito por caneta, a camisa era folgada, a calça social preta, estava quase marrom, de tão desbotada. Convicta do que fazer, abriu os braços na frente da porta. — Moço, eu não sei quem você é, e se tivesse o mínimo de educação, iria respeitar o meu trabalho. Se afaste da porta, vou chamar os seguranças. — Ninguém, pode entrar. Eu só cumpro ordens. Ele sorriu sarcástico, olhando as axilas dela, marcando suor e um furo mediano na camisa. — Seu salário é tão r**m que não consegue comprar boas camisas ou usar um desodorante decente? — Achei que essa empresa tinha um padrão melhor, assim como os incompetentes que me deixaram vir até aqui, sem a menor dificuldade. Vou começar demitindo você também. — Se estivesse, realmente cumprindo suas obrigações, saberia quem eu sou. Não gostei, de você. Incompetente! A porta se abriu atrás dela, e seu chefe saiu todo simpático: — Dominic já chegou, seja muito bem-vindo. Nayere, com licença? Traga um café, uma água para nós, rápido! Por favor. Enquanto ela se afastou contrariada, Dominic sorriu com deboche: — O meu sem açúcar, Nayara! Com o sangue fervendo, ela já soube o tipo de pessoa que ele era. Ignorou a provocação e foi buscar o café. Começou a conversar na cozinha, espalhando a notícia sobre a arrogância do novo CEO. Quando voltou para servir, eles nem estavam mais na sala. Quase no horário de encerrar o expediente, Dominic voltou sozinho. — Nayara, se vai trabalhar para mim, precisa ser mais ágil. Temos uma reunião e eu não recebi o que te pedi há meia hora. Ela o acompanhou com o olhar. — É Nayere, e eu não sei do que está falando, senhor. Ele havia entrado na sala, voltou com uma cara de poucos amigos. — Não verifica seus e-mails? Para onde pensa que vai, Nayara? Ela estava organizando a mesa, desligando o computador, e foi pegando a bolsa. — Meu expediente já se encerrou. Amanhã posso verificar os e-mails. Costumo ser muito competente e pontual. Sua reunião estava agendada para amanhã. Perplexo, ele ficou a encarando fixamente, sério. — Quem sabe com as horas extras, consiga comprar uma camisa nova, sua m*l-educada! Ela foi saindo tranquila. — Quem sabe? Seja bem-vindo! Ele ficou bravo, xeretou as coisas na mesa dela, ficou pensando que ela não aguentaria uma semana com ele. Logo saiu embaixo de chuva, estressado com as mudanças. Seco e aquecido, dirigindo seu carro caro e confortável, a algumas quadras da empresa, parou no semáforo. Foi soltando a gravata e, ao olhar para o lado, viu Nayere brigando com o guarda-chuva em um ponto de ônibus. Cheio de más intenções, resolveu dar a volta e passar por ela.
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