Capítulo 4

2094 Palavras
AMANDA Ele está em cima do meu corpo, não me esmaga, mas está perto o suficiente para eu sentir seu peito duro contra o meu. Isso está errado, não deveríamos estar assim, mas que me condenem por não querer que ele se afaste de mim, preciso dele mais perto, seus lábios nos meus e suas mãos no meu corpo reconhecendo cada canto. Sua respiração no meu rosto envia correntes por todo o meu corpo fraco, porque quando se trata dele, sou mais do que fraca. ― Amanda... ― sua voz rouca e masculina, pronunciando meu nome é como o canto dos anjos, mas como nada é bom demais para ser verdade, o som de um telefone tocando alto na cozinha acaba fazendo com que o maravilhoso momento que estávamos vivendo na solidão da noite termine abruptamente. Samuel se afasta de mim como se eu fosse uma peste e vai em direção ao lugar onde estava sentado comendo e percebe que seu telefone é o que está tocando sem parar. Ele atende e me lança olhares discretos. Eu me sento de novo porque minhas pernas tremem demais e não quero que ele veja isso. Fico atenta ao que acontecerá a seguir. ― Sim, entendo... não há nada que possa ser feito? ― pergunta do outro lado, seu rosto muda para uma expressão mais séria e aparentemente algo grave está acontecendo. Deve ser algo com o trabalho. Eu só o observo atentamente, bebo do meu copo sem querer ser intrometida, embora, por estarmos no mesmo local, seja impossível não conseguir ouvir sua conversa. Pego meu telefone para ver se encontro algo interessante, mas até o momento só encontro fotos do i********: de Kate, onde ela parece estar se divertindo muito. Sorrio com isso, porque ela adora festas. Mas a voz daquele mega espécime sexy me faz deixar o telefone de lado para prestar atenção completa nele. ― Amanda, lamento que a noite tenha que terminar assim, mas preciso sair urgentemente por questões da empresa ― ele diz como uma desculpa. No fundo, agradeço que ele vá embora, pois não acredito que eu seja capaz de continuar longe dele, mas, por outro lado, adoraria que ele não fosse embora e que concluíssemos o que estávamos quase fazendo. ― Sim, não se preocupe, vá tranquilo. Eu vou deixar tudo aqui limpo ― digo as palavras com um sorriso. Ele me olha com uma expressão que não consigo decifrar. ― Não é necessário, quando eu chegar eu limpo ― ele diz, e eu balanço minha cabeça. ― E eu disse a você; como você cozinhou, cabe a mim limpar. Vá, se te ligaram a essa hora, deve ser importante ― digo com o mesmo sorriso e evitando o nervosismo que ainda não me abandonou. Vejo-o hesitante e que quer me dizer algo, mas no final não o faz. ― Ok, qualquer coisa me ligue ― ele diz e se vira. Solto o ar que estava segurando e de repente sinto um beijo na minha testa. ― Até logo ― ele diz, se despedindo novamente e me deixando completamente chocada. O que diabos foi isso?! Pisco na direção em que ele foi embora sem acreditar. Ele me beijou... foi na testa, eu sei, mas não sei, foi... diferente, especial. Seus lábios na minha pele foram extremamente suaves, delicados e com um calor requintado que só ele poderia me dar. Foi muito melhor do que eu já imaginei. Coro enquanto meus próprios pensamentos me levam, e não, não é nada decente. Já imagino como devem ser os seus beijos nos lábios, provavelmente desmaiarei se ele um dia o fizer, já que agora estou à beira de um colapso nervoso e mental. Abano a cabeça freneticamente, olho para a mesa e as coisas sujas, e decido deixar tudo limpo antes de ir me deitar. Meu dia terminou e não tenho mais nada a fazer em pé. Pego tudo e limpo de forma adequada, depois seco e guardo. Deixo a ilha da cozinha brilhante e quando considero que está tudo em ordem, vou para o meu quarto com o copo de vinho e a garrafa com o que resta. Pelo menos, se não posso f********o com meu garanhão, me dedicarei a beber até terminar a garrafa. Duvido que Samuel se importe de terminá-la, embora de qualquer maneira eu diga a ele assim que o ver. Não quero que ele pense que estou me aproveitando, porque não é assim. Subo com as coisas para o meu quarto. Várias semanas estão por vir, e espero aproveitar da melhor maneira possível. Uma vez que entro, coloco a garrafa e o copo na mesinha de cabeceira, tiro minha roupa e procuro meu pijama para ficar mais confortável. Já trocada, pego meu copo e vou para a pequena varanda que o lugar tem para poder apreciar a noite. Há um pequeno sofá e uma mesinha. Deixo a garrafa lá e me sento dobrando os pés e colocando os joelhos perto do meu peito, cercando as duas pernas com meu braço esquerdo enquanto bebo do meu copo. Fecho os olhos, aproveitando o vento do lugar, como ele acaricia meu corpo me cumprimentando, como os animais noturnos me recebem no local com seus sons peculiares ou como o som do mar e das poucas árvores que existem no local geram uma melodia harmoniosa que me envolve em segundos. É tanto que me perco, que sem perceber já é meia-noite e nem Samuel ou Kate chegaram em casa. Solto um suspiro e verifico que não me resta mais nada para beber, entro no quarto e vou para a cama. Amanhã será outro dia, onde espero aproveitá-lo mais do que hoje. O voo me deixou exausta, além de tudo o que Kate me fez fazer durante a tarde, me cansou ainda mais. Assim, em questão de segundos eu adormeci profundamente. Contudo, um som estranho lá embaixo me assusta completamente. Abro os olhos de repente e meu coração bate forte no peito, minha respiração se altera e um medo terrível me invade. Que merda é essa? Não acredito que sejam ladrões... será? Diabos, n**o desesperadamente com a cabeça e me cubro com as cobertas como se isso fosse me ajudar de alguma forma se fossem ladrões armados. Com certeza as cobertas e lençóis vão me salvar de ser assassinada. Porra, sou muito jovem para morrer. De repente lembro que minha porta não está trancada e, com rapidez, que me surpreende visto a minha tremedeira, levanto-me para fechá-la, mas uma voz me faz parar no lugar. ― Merda... ― eu conheço essa voz. Apoio minha testa na porta e me permito relaxar. Vou rapidamente em direção às escadas e encontro Kate completamente bêbada, m*l se segurando em pé. Ela tenta subir as escadas e dá apenas alguns passos, vejo lá embaixo e há várias coisas no chão, n**o e vou ajudá-la. Desço os degraus que faltam até chegar ao seu lado e pego seu braço esquerdo. ― Vamos, eu te ajudo ― digo gentilmente e ela ri. ― Não... não me diga, diga para o Sami ― diz evitando rir de forma escandalosa; cobre a boca com sua mão livre. ― Ele não está, então vamos antes que ele chegue e te veja assim ― solto cansada, pois não é a primeira vez que ela termina nessas condições e não é a primeira vez que eu tenho que ajudá-la como se fosse uma criança que precisa de alguém para cuidar dela. Ela tem 20 anos, pelo amor de Deus, deveria cuidar de si mesma. Não sei por que ela sempre acaba assim. O próximo acontecimento é o que sempre acontece. Depois de alguns minutos intermináveis, conseguimos chegar ao quarto dela, mas vamos direto para o banheiro, onde ela despeja tudo no vaso sanitário. Seguro seu cabelo para que ela não suje. Quando termina, dou descarga e a ajudo a escovar os dentes. Depois, auxilio-a a colocar seu pijama e deitá-la. Assim que a vejo profundamente adormecida em sua cama, trago da cozinha algumas pílulas e um copo de água que com certeza ela vai precisar amanhã quando acordar. Então, volto para o conforto da minha cama para continuar dormindo. Mas, como sempre acontece, o sono vai embora, e agora estou acordada às 3 da manhã. Reclamo e dou um pequeno grito contra meu travesseiro. Começo a pensar sobre “a morte da bezerra”, e me perco em meus pensamentos. Talvez se eu comer alguma coisa, isso me ajude a dormir. Sem vontade nenhuma, vou para o primeiro andar, arrumo a bagunça que Kate deixou e que eu havia esquecido completamente. Uma vez que tudo está arrumado, vou para a cozinha procurar algo para comer. Como uma intrusa, começo a vasculhar tudo em busca de algo que me chame a atenção, mas não encontro nada até que vejo um pequeno bolo no final de uma das prateleiras na geladeira. ― Te achei, você vai me ajudar a dormir como um bebê esta noite ― digo falando com o bolo e sorrindo como uma criança no Natal. Procuro uma colher pequena e sento em um dos bancos da ilha para devorar essa maravilha. Dou a primeira mordida e simplesmente fecho os olhos e me permito encantar por essa delícia maravilhosa. ― Deus, isso está ótimo ― elogio quem quer que seja o autor dessa obra-prima de sobremesa. Dou outra mordida muito extasiada com o sabor em meus lábios. ― Vontade súbita? ― diz uma voz atrás de mim que me faz soltar um grito de surpresa e susto. Eu viro e vejo Samuel sorrindo divertido pelo susto que ele acaba de me dar. Nego com a cabeça sem entender nada, mas é a única coisa que posso fazer devido ao susto e ao nó que tenho na garganta ao vê-lo tão malditamente sexy na minha frente. ― Hmm, eu... eu não conseguia dormir e pensei que comer me ajudaria ― digo vermelha como um tomate, porque ele me pegou com a boca na botija. ― Vejo que sim, embora eu não saiba se mais açúcar no organismo vai te ajudar, acho que será pior ― diz, e olho para o meu prato, e diabos, acho que ele está certo. ― Hmm, não pensei nisso ― digo, escondendo o rosto de vergonha. ― Melhor fazer um chá para ajudar a descer o que você consumiu ― ele diz, e eu levanto o olhar para vê-lo sorrindo amigavelmente. Assinto sem dizer nada e o vejo se mover pela cozinha com propriedade, com experiência até que em poucos minutos ele está na minha frente com uma xícara fumegante, que assim que bebo acabo soltando um gemido pelo quão delicioso está. Levanto o olhar porque surge um silêncio meio desconfortável, ao tê-lo na minha frente olhando para mim de uma maneira que não sei explicar. Mexo-me na cadeira e tento pensar em algo ou em algum assunto para eliminar o momento tenso, mas é ele quem faz isso. ― Não consigo acreditar no quanto você mudou ao longo dos anos, definitivamente você não é mais a garota que eu conhecia. Agora você é uma mulher completa... ou não, Amanda? ― ele solta, fazendo com que minha pele fique arrepiada, que eu o olhe diretamente nos olhos e engula em seco por suas palavras. O que... o que ele disse? Eu o observo e não vejo nem um pouco de arrependimento em suas palavras, o que ele quer dizer com isso? Que agora ele me vê como uma mulher? Droga, eu esperei por isso a vida inteira, mas... ― Hmm, sim, suponho que sim. Bem, passaram-se anos e a gente cresce, amadurece e sim... definitivamente eu não sou mais uma menina ― solto a primeira coisa que me vem à mente. Droga, o que estou fazendo? ―... Embora seja preciso admitir que você também fez isso, quero dizer... você parece melhor a cada ano que passa ― solto e mordo a língua pelo que acabei de dizer. O que diabos está acontecendo comigo? ― Parece que sim... ― ele solta com a voz grave, fazendo meu coração bater mais rápido ―... seu namorado vai se juntar a vocês durante o verão ou serão apenas vocês duas? ― outra pergunta desconfortável e ofegante. ― Hmmm, não, não tenho mais namorado. Terminamos algumas semanas atrás ― solto mais detalhes do que deveria, mas não consegui evitar. Samuel abre os olhos diante da minha resposta, talvez ele não esperasse... ou talvez esperasse. ― Interessante... ― ele diz e engasgo com minha saliva. O que ele quer dizer com isso?
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