Cada palavra dele cortava como navalha. E eu senti. Não como culpa, mas como um baque, como uma verdade que eu nunca tinha parado pra enxergar. Eu fui tão tomada pela minha dor, pelo meu sofrimento, que nunca parei pra pensar no que ele sentia. Nunca me perguntei o quanto ele também estava sozinho. — Eu nunca mais aceitei nenhuma visita lá dentro. Nenhuma. Porque eu não queria ninguém. Porque eu só queria você. E você não tava mais ali. Ele passou a mão pelo rosto, mas as lágrimas não cessavam. E foi então que ele falou daquilo que mais doeu. — Você não sabia que tava grávida. Nem eu. Mas a gente… a gente sonhou com aquela criança. A gente idealizou aquele filho. A gente fez planos que nem existiam ainda. Eu sonhava com você me acordando no meio da noite dizendo que tava grávida. Eu son

