Urso narrando Acordei mole, destruído, mas satisfeito. Aquela sensação de corpo leve depois de descarregar o mundo em cima de uma mulher que aguenta. Mas não deu nem tempo de respirar direito. Só senti ela se levantar da cama e, por impulso, puxei de volta pra mim. O calor do corpo dela ainda tava grudado no meu. Só que a realidade não espera ninguém, e veio crua, suja, rasgando como lâmina: Rebeca. Porra… a Rebeca. O rádio chamou, o menor gaguejou e bastou escutar o nome da mãe da Nicole, e depois “carro todo riscado”, que meu sangue virou gasolina. Nicole surtou, começou a gritar, me botou o dedo na cara, pelada, com o corpo todo marcado da noite anterior, com os olhos cheios de ódio. E eu ali, parado, sem reação. Não porque eu tinha medo da cena, mas porque eu tava tentando segurar

