Urso narrando — Calma aí, meu parceiro. Vamos castigar ele da forma como ele merece. Eu toco no ombro do Felipe e sinto o corpo dele todo tenso, trêmulo de tanto ódio acumulado. O peito dele sobe e desce num ritmo quase doentio, o maxilar travado. Ele me olha, respira fundo e se afasta, dando uns passos pro lado, com as mãos sujas de sangue ainda fechadas em punho, como se não confiasse nas próprias forças pra não continuar esmigalhando o crânio do Robson. Eu entendo. O que ele carrega é o peso de quem teve a filha marcada pra sempre por esse lixo. Eu faço um sinal pros vapores, que já se aproximam trazendo o material que eu pedi desde antes de sair do meu morro. Eles vêm carregando a barra de ferro já toda incandescente, o vermelho vivo brilhando no escuro, cuspindo pequenas fagulhas

